Restrição no planejamento
nem se dava conta e seguia vendo apenas
aspectos estéticos na diagramação
dos seus volumes, cores e na relação
entre eles.
Contaminados pelo costume,
pelo olhar preguiçoso que não
estica o pescoço, adotamos partidos
e materiais, designando contrastes
e detalhando os mesmos encontros.
A eficiência era medida pelo
resultado do ciclo de manutenção
e longevidade. O quanto de recursos
era empregado ao longo do tempo
para manter o estado original. Só!
Assim, prédios, bairros, equipamentos
urbanos foram concebidos, comprados,
implantados e replicados em larga escala
considerando somente uma parcela
de um todo. E o todo sequer era visto.
Olhávamos apenas o majoritário
o prevalente, o que aparece, o que grita
o que revida: o que imaginávamos ser
o conjunto representativo do velho
conceito de “massa” .
Massa que não era doce
nem salgada, tão pouco conseguia
descansar. Massa compacta,
monolítica em possibilidades
permanentes ao longo do tempo.
Aos poucos a massa foi
azedando, foi se abrindo em
rachaduras que não dava mais
para enfarinhar ou pincelar com ovo:
a massa abriu e revelou seus componentes.
Neste racha se percebeu, aleluia!
vários participantes, ingredientes que
desejam frequentar, viajar, desfrutar.
Que demandam condições para o
exercício pleno de cada ser.
Edificações públicas e particulares,
locais de entretenimento ou de culto,
espaços, logradouros, transportes e
interligações modais, postos de saúde
por aqui são ainda deficientes de fazer dó.

