Quando já não cabe
a conversa, o entendimento
quando há o esforço vão
de ser compreendido
e de ouvir. Mas é só eco.
Onde foram parar os iguais?
Os nossos, àqueles com os
quais podíamos, deveríamos
ou fora certo que com eles
era possível estar junto?
O olhar só enxerga os outros.
Os desiguais, os de fora
dos muros, os que olhamos
e não nos vemos em seus
traços. Estes são muitos…
E aos diferentes
o melhor é o vestuário
de inimigos. Aos inimigos,
à força, o peso da lei
Sempre se ouviu dizer…
Mas ainda há uma comunidade?
um conjunto daqueles com quem
se tem um quê de pertencimento?
Procura incessante para a via
do diálogo, organicamente, preferencial.
Acabou… foi se rompendo
esta cadeia da semelhança,
do reconhecimento. Foi dando
lugar ao indivíduo, ao singelo, ao
isolado em si.
A quem mais pertence este eu?
a quem interessa o que se passa
em seus mundos paralelos, superpostos
em flandres, poças de lama, mofo e
lavanda, a quem mais interessa?
Em grandes ondas de wi-fi
surfando no tubo do seu próprio
ser, não vê ao seu redor, nem
mar, nem útero, nem espuma.
Quebra na arrebentação, alone…
Para preencher o espaço
vago da palavra que não chega,
do ouvir que não se dá, do contato
que não vinga, se corta na espada
afiada e também vai mutilando os seus.
Diálogo que não encontra
meio de se fazer entender
cava, cria, procria o buraco
violento do ser que nem
mais se sabe quem é

