É intrigante observar como
algumas palavras vão trocando
de significado ao longo do
tempo, feito camaleão, bichano
dos mais versáteis.
Algumas são “engolidas” pelos
ditames do salão e ficam lá
na parte traseira da estante
onde só a poeira lhes guarnece:
somem da vista!
Outras ingressam, altaneiras,
vindo de terras distantes. Já
se aboletam na “janela” e
dão uma guinada de quadril
pro lado. Chega-prá-lá!
A língua que adotamos, já
que nossa não é, se comporta
desta maneira. Ao menos é o
que observam os leigos que
não são versados na suma gramatical
A revolução é destas palavras espantosas.
Desde sempre foi termo de planetas,
restrito às ciências do céu, lá pelos
séculos e séculos… Não, não faça
o sinal… A modernidade abomina
E eis que a revolução cai do céu
com capa e espada. Invade palácios
e assusta a nobreza! Perucas
desgrenhadas e anáguas
rompidas!
Junto ao croissant servido
frio e bolorento, a revolução
é sangrenta; faz vítimas em
grande escala e transforma
tudo pela terra.
E até o presente do indicativo
vai caminhando deste modo:
bem mais longe do céu
e bem mais perto de
cada um.

