Nem se consegue imaginar
um direito sem o papel da palavra.
Na ausência do falar ou do escrever
ou de ambos a simples e mais comezinha
possibilidade fica aleijada
É por meio delas que se perdem liberdades,
se ganham novos títulos, haveres, descendentes.
É delas que caras são viradas contra ou na
direção de alguém. Delas que se pretende
um entendimento ou uma rusga
Dependo da escolha e da arrumação
na frase tudo se modifica. Uma hierarquia pode
ser estabelecida: jargões, gírias, expressões
em outra língua ou até mesmo aquelas que
moram na erudição.
Os resultados de experiências empíricas podem
ser adulterados pelo emprego de palavras escolhidas
a esmo e, ou, numa sequencia que conduza à dubiedade
o que deveria ser conclusivo.
Delas se originam a crueldade dos ataques e da consumição.
Nomear coisas é a razão de sua existência.
E só há uma existência quando se consegue declarar
o que há. Para os bravos combatentes o conceito é
trincheira sem tutela e mesmo no calor
da batalha pode haver premiação em perseverar.
Se os mais famosos pensadores, desde o que
se conhece pelo início da civilização, fazem uso
magistral da palavra, o que dizer das conversas,
dos escritos prêt-à-porter, do resumão mastigadinho
e processado de maneira helicoidal…
Elas podem sufocar, em excessos, repetições
enfileiradas que nada acrescentam…
Podem retornar o ar na concisão e graça.
Vivem em ciclos de renovação e tem a
nobreza de aproximar o Eu do Você






