Arrumando novamente
malas, pastas, roupas,
escova, gravata, meia
carregadores, adaptadores
traquitandas mil
Nem consultava mais
a lista, sabia de cor tudo
o que deveria levar e
dobrar, enrolar, por dentro
do que e como.
Mais 10 dias longe
de casa, do cachorro
que está doentinho, do
roupão velho, da água
que bebe no gargalo
Neste mês já foram
duas e no mês passado
3 e 2 no próximo. Assim
tem sido, faz tempo.
Ué, trocaram a torradeira?
Nem sabe o que
rola por aqui, em que
perrengue estão metidos
os meninos. Do par então…
melhor nem lembrar.
Sente que tudo
acumula em algum lugar
do tronco, que tem um
tubo, que insiste em
arder, ao longo do dia.
O colega vai passar
de compartilhado para
rachar a ida pro aeroporto
dentro de 10 minutos. De novo,
não dá tempo pra conversa.
O snooze do despertador
comeu 10 minutos que agora
fazem falta para ao menos
falar abobrinha em casa
e saber qualquer coisa
Fecha a mala de carrinho
ajeita a roupa frente ao
espelho que devolve rugas
para todo lado e olheiras tb
Deu vontade de ter um ataque
Passou a vontade, respirou
fundo e seguiu;um perfume,
um alinhamento de cabelo,
uma postura para enfrentar
mais uma batalha… vai seguir.
Chega na porta de saída,
mas o cachorro nem levanta,
nem acena com o rabo,
está mesmo doente…e
deve ser sério, deve ser…
Grita tchau para todo
mundo, com voz de vapor
d’água, sem cor, sem cheiro
sem gosto, só tchau e segue
arrastando a mala pelo corredor








Um comentário em “Ataque de nervos, sofrimento previsto?”