Erro ou ignorância

O erro resulta do

pensar conhecer

um tema, vários,

pensar conhecer

bichos, gente…

 

Pensar conhecer

pode ser perigoso,

inebria e dá a sensação

de que nada mais

há para perguntar

 

Essa sensação é

conhecida como

“passa-moleque”

ou rasteira. É sentir

a danada que em seguida

 

se vai ao chão. Parando de perguntar

cristaliza, estagna, cria

limo, crosta, craca, teias

de aranha e cotão.

E, lá se vai a chance de

 

que exista

um pouco mais, um

pouco além, algo

que ora não se divisa

mas que pode estar lá

 

Ignorar é distinto, salvo

melhor juízo, vossa mercê.

É ter todas as possibilidades

para investigar, para percorrer

para tratar, junto ou separado

 

Talvez seja mais interessante

ignorar do que errar…

Talvez seja mais

simples e menos

“empoado”

Garantia, no entanto,
é névoa fina que
o tato não alcança,
o nariz perde o
cheiro e barulho não faz

 

 

No seu tempo

Nada nos parece mais

interessante do que

o tempo em que se

vive. O que passou

é um coitado e o futuro?

 

quem vai saber…

É com desprezo que

se olha para as épocas

em que as tecnologias

eram distintas.

 

Faltava isso e aquilo

e tudo parece, de hoje,

mais complicado, menos

divertido e mais penoso.

Temos dó dos antigos

 

Há, no entanto, quem

atravesse esses umbrais,

percorrendo uma ponte

passado-presente que

quase é tangível.

 

Seres que dialogam com

a gente, por suas obras,

ideias, ações que se deslocam

com graça e atitude, provocando

afeição ou repulsa. Afetam!

 

Driblando os grilhões das

divindades tempo-espaço,

podem contribuir para

que se possa, neste momento,

também romper tais amarras

 

https://www.artsy.net/article/artsy-editorial-botticellis-birth-venus-challenged-depictions-nude-art

Mãos sujas de barro

Para muitos é

grande o desconforto

com atividades manuais,

tidas como mais simples

e, talvez, superadas…

 

Amantes da tecnologia

de ponta, da mais recente

maravilha, desvaloriza-se

o que fora chamado de

arte de ofício

 

Dominavam a destreza

no manejo de ferramentas

que lhes permitia resultados

impensáveis nos tempos

em que o fôlego nos falta

 

Aqui e acolá, nos grotões e

periferias podem subsistir

ainda, por uma dessas teimosias

que é melhor deixar de lado,

para não perder o amigo

 

No estuque, na confecção

de ladrilhos, no restauro

e na caixilharia há uma

carência profunda destes

nobres conhecimentos

 

O barro, como o pão,

fala aos Sapiens uma

linguagem sem som

e profunda que talvez

não possamos evitar

 

Um resgate,

Um reuso,

Um novo partido

possa ainda ter vez?

tal….vez…

 

Um saber novinho em folha

Querendo inovar

E desligar o que

já foi, desligar

o passado e

ninguém precisa saber,

 

procura-se o novo.

Um conhecimento

inédito e arrebatador

que resolva os grandes

e os pequenos mistérios

 

Tudo novo, sem vestígios,

sem pegadas ancestrais

que nem se assemelhe

quer na estrutura ou

em algum detalhe

 

Caso não tenha estrutura

melhor será. Ficará mais

difícil de fatiar em pedacinhos

para hackear. Garantia de

deixar pra trás a concorrência

 

O incremental não é sedutor…

é lento, não tem pompa e

a circunstância é comezinha

sem fogos de artifício e

estampidos

 

Há os que assim não pensam

mesmo que não façam alarido…

Há os que são assim e não

pensam e fazem alarido

ou voam, zumbindo por aí

Agitação feroz sem finalidade

Tentando trocar o

churrasco pelo

veganismo das

relações pessoais

e profissionais

 

Buscando a profilaxia

do envelhecimento

com o botox aos

15 anos e a lipo

aos 14

 

Inserindo a espiritualidade

no balcão de trocas

sem esforço ou sacrifício

tudo com base no

“eu mereço”

 

As viagens não se

bastam. O que vale

são experiências

incluindo o nadismo

remunerado regiamente

 

Debates que

convergem rapidamente

para o consenso raso

pelo contorno dos

argumentos contrários

 

Assim é o império do

significado que vale

como alimento de

cada instante.

Bandeira entendeu…

 

 

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