Olhando para baixo, pro nada
respirando com barulhos
nem se dá conta se tem
gente por perto ou não
a sensação é de erro
Erro de expectativa, erro
de avaliação, erro de atitude,
faltou tônus ou sobrou
pressa, pouca analise ou
excesso de dados. Não sabe.

A tal da expectativa é a
rainha de todos os males,
da ansiedade, da incerteza,
do jugo sobre o futuro que
de certa forma já se traça aqui.

Aposta errada, foi isso
e quem lida bem com o errado?
Qual a ajuda a ser pedida
quando a questão é lá
por dentro?
Tudo ao redor parece que
sofre do mesmo mal; o país,
o estado, a cidade, a rua e até
os vizinhos. Apostas erradas
que desabam sobre todos.

Era para ser diferente e
isto insiste em estar no
pensamento, quase uma
obsessão ressentida de
que merecia ser distinto.

Enquanto carrega a
encrenca de não ter dado
certo, enquanto curva o
pescoço e dificulta a entrada
do ar, vai se afundando.
Afastar um pouco do olho
do problema, do erro, da aposta
que foi feita é, talvez, a única
forma de tomar um pouco
de elixir de “vira-mesa”.

Lembrar que veio até aqui
mesmo que mancando, mesmo
sem estirpe, mameluco até
os ossos, caracóis na cabeça
até aqui chegou.

Males, revezes, ondas enormes
ou marolas, desencantos e afetos,
muito cinza ou intenso azul,
desassossego ou magia…
está tudo sempre posto à mesa.
Vai se servir logo de angústia?







