Nascido em bom
berço, com chances
especiais de mamar
quando queria e poucos
mosquitos ao redor.
Cresceu em boas cenas,
família inteira, até avós!
Estudou direitinho e
dos dentes tratava sempre
com hora marcada.
Namorou no quadrilátero
do bairro, dentro do zoneamento
previsto no código urbano
das casas e prédios parecidos
e asfalto em todas as ruas.
Decidiu profissão com chances de
pesquisa, conversas, visitas e
até experimentação. Aproveitou
outros conhecimentos que sempre
estiveram disponíveis por ali.
Ao redor, todos falavam bem e sabiam
se expressar, pensar, se vestir e portar
em ambientes limpos, cheirando lavanda,
com água e esgoto tratados adequadamente;
Desde pequenino lavava sempre as mãos.
Tudo isto constituiu uma vantagem
e é sabido pelos que moram nas vilas
tidos mesmo como vilões e que
tentam esconder suas unhas sujas
e ramelas fartas.
Esperado, portanto, seria uma dose
de sacrifícios, de abdicação de privilégios
pelo tanto que receberam na largada
sem esforço? Um ceder a preferência
aos demais, não participantes da sua própria classe?
Um instante de reflexão: teriam visto
em alguma corte, sociedade ou época antiga
ou ainda que próxima, dito comportamento
que respaldasse tal crença?
Teriam visto?
Seria esta obrigação mais uma
das lendas, fábulas, cochichos
transmitidos de boca para ouvidos
que ninguém comprova e fica
mesmo assim na história?







