Diferente da fábula
em que se aprende que a soberba
é pior do que cisco,
pode se ter também o oposto:
roupa sem conteúdo
Sinais aparentes tentam
mostrar muitas vezes
o que i.n.e.x.i.s.t.e,
pelos mais variados
motivos e modismos.
O mais novo gadget
exibido com estudada
displicência, a chave
de um carro caríssimo
jogada assim, na mesa.
Quase como encher de
massa a pizza ou a empada,
ou encher de terra o vaso,
enfim encher com tudo o
que tem pouco valor.
Quanto desta postura
se observa nas mais variadas
camadas do tecido social
esgarçado por um faz-de-conta
que só se afasta do que é.

Assuntos desconhecidos ou
só arranhados na superfície,
livros ou temas que de fato
nunca fizeram parte de um conhecer
se tornam comodities de conversa fiada.
Tentar revelar o que não se
possui ainda, ou que talvez
nunca se venha a ter, que talvez
nunca se alcance, esvazia ainda
mais as chances… não é assim?

Quantos ternos, jalecos,
macacões, jardineiras,
quanto de roupa que
anda sozinha, sem recheio,
pelas ruas, acenando, por aí?

Sem saber que estão vazias
por distração ou pelo pouco
conteúdo que também tem
por aqui, acenamos de volta
numa troca sem qualquer sentido







