Networking: para fazer uma rede dá trabalho

exposição

Decidiu ir a feira de negócios

badalada que só.  Queria conhecer

uns 3 ou 4, networking, sabe?

Esses tavam no radar faz

um bom tempo. Queria conhecer.

networking

 

Roupa escolhida e vestida,

saindo e pensando como

se sairia por lá. Uma estratégia

era inteligente, né?

Ia pensar numa.

 

Talvez fosse melhor não ir

e se preparar antes, para

outra oportunidade, falava

o “anjo da direita”.

O “da esquerda”, empurrava pra lá.

anjo bom e anjo mau

 

Uma ideia: descobrir alguém

que pudesse lhe apresentar aos

pop-stars que queria conhecer.

Poxa, trabalhar isso antes

era importante hein…

Tá.. mesmo que descubra,

quando estiverem em contato

como faz? O que diz? O que

pergunta? Entrega um cartão?

Vários em papel ainda ou qrcode?

 

qrcode

Melhor voltar e não estressar

esta chance de forma errada…

há de ter outros eventos, e chegando

com preparo prévio, as chances

aumentam…ou isso era desculpa?

 

Já chegou ao local do evento?

Mas não estava acreditando…

Encontrou um colega, de mais

de 10 anos, da empresa JzX, na

mesma fila de credenciamento.

 

Apertos de mão, cumprimentos

e um papo engatado em marcha

agradável.  Foram bons colegas

afinal.. E não se falaram

Por mais de 10 anos ..

 

Continua depois… talvez

A fala do seu corpo fala tudo de você

Close up of man touching mustache

Pertinho do prédio, já podia diminuir o passo

Mãos nos cabelos, sempre acontecida

Estalar os dedos também.

A fala do seu corpo revela sua pressa…

Chegou! Foto e passe liberado.

homem bonito sorrindo

Mais uma arrumada no cabelo

E outro estalar de dedos.

Nono andar, porta abrindo,

Já começa o sorriso ensaiado

Para bom aproach com cliente.

 

Pediram para sentar e esperar

e enquanto isso, mexer no cabelo,

olhar o smartphone, estalar dedos e

pernas balançando também;

Terão vida própria? Pode ser…

pernas balançando

 

“Pode esperar mais um pouco?”

Olhada no horário, 10h30.. ferrou!

Vai perder a consulta das 11h, com

aquele gastro, para tratar de problemas

desagradáveis… custou tanto a marcar…

 

Corpo falando; seguia esperando

Enrolando cachos e esqueceu das pernas;

mas lembrou dos estalos e alongamentos

dos dedos… quase saíam das mãos, quando

notou que alguém lá dentro olhava…

 

“Aceitava um café?”

agradeceu … claro que sim! e os

cabelos iam da mão direita para a

esquerda… já nem se dava conta

e dos olhares.? destes dava sim.

Cruzou braços junto ao tronco

e já tinha esquecido o sorriso

no bolso, com as chaves.

Os dedos estalaram mais alto;

Até que veio o cliente, ufa!

Serious businesswoman at the window

Cabelos desalinhados ?

Arrumou novamente e de novo

e entregou a proposta.

Estalou dedos, discretamente

desta vez, e notou outros olhares…

olhares

Lendo o documento

o cliente não lhe dirigia uma

palavra que fosse, e novamente

cruzou os braços após sentar-se

e balançar as pernas.

O cliente agradeceu

despediram-se, arrumando de

novo a cabeleira. Desfez a cruzada

de braços, levantou-se e foi

para o elevador, sob cochichos.

 

 

11 horrible body language mistakes

 

 

Medir o tempo? que balela

medir-o-tempo

medir o tempo

Medição de tempo

é uma questão que

nos molesta a todos,

cientistas, simplórios

velhos e meninas.

Se existe de verdade

também já não se sabe:

para o Rei um dia é nada

pois antecipa ou posterga

como quer. Tudo balela!

tempo-e-rei

Para aquele encontro,

tempo também não tem.

Esquece hora, dia e mês,

nada se move, só há

a data e nada mais!

Para uma chatice

já é tudo contrário,

horas e dias embolados

e a chatice chega cada

vez mais perto, ufa

Enquanto se revisa

a vida, tempo também

não conta, lembrar do que foi

bom e o do que não foi

duram igual?

Fazendo esforço,

dando tudo o que se pode,

é infernal como um minuto

consome e esgoela, falta ar

para mais unzinho minutinho só.

esforço

Sábios desde sempre

contaram estórias de que

tempo é baboseira que levamos

a sério, inventando de controlar

o que ninguém pode.

E já que esculhambaram

criando mais um mês e menos

uma hora, que aqui é dum jeito

e lá é mais, ou menos, fica adotado

o que já não existe e até mais ver!

 

 

Você não sabe discutir – nem eu

dicutir

Fazia tempo que divergiam

Sobre o tempo, sobre as cores,

sobre sabores e ventos,

sobre sinais, sobre bobagens

e o que importa é discutir

Começavam no tema

e rapidamente se afastavam,

percorrendo caminhos de

ressentimentos antigos,

cozidos no escuro, lá no fundo.

Qualquer motivo era bom

para discutir, para elevar um

pouco, a cada argumento, o

tom da voz. O cinismo era

sempre convidado também.

Tempos outros, outros tempos

em que as ideias podiam ser

diferentes, opostas ou apenas

em pequenas divergências e

o lado cético era de bom tom

Sem perceber como,

uma fronteira, uma divisão

foi aparecendo bem no meio

e a cada palavra de um, o

outro sentia a estocada.

Perdidos em discutir

em nada avançavam,

perdiam o fruir,

fomentavam refluxo,

azedavam o clima.

Contaminados, ao redor

sentiam a necessidade

de escolher um lado.

Já se armavam contra

para outras guerrinhas.

O gosto por combater

acabou fincando bandeira

e aqueles que antes se viam

próximos, nem mais se viam

na confusão do quem tem razão

Opinião pode haver

E sempre há. Na construção do

argumento há espaço para

respeitar quem se opõe.

Só o justo embate é fidalgo.

 

 

Opinião e argumento

 

 

 

 

 

 

 

Quem foi? Sumiu o celular no salão

sumiu o celular

sumiu o celular

 

“Quem foi?

Sumiu!

Estava aqui!

Juro que

Deixei bem

Aqui o celular!”

Era o que se

ouvia na sala

grande, depois

do almoço,

na volta.

 

Esqueceram

Um aparelho

caro, muitos R$,

daqueles…

Ultra-blaster.

E o danado

sumiu. Perda

irreparável,

momento

de sofrer.

 

Ficaram no

andar, a copeira,

o menino que

limpa e mais 2

estudando.

A histeria,

potenciometro

privilegiado,

fazia o grito

mais alto, mais!

 

“Ia chamar a polícia!

Não vai ficar assim!

Como pode haver

roubo aqui dentro?”

Todos ouviram,

Olhares se cruzando.

A copeira e o garoto

com a boca aberta

e as bocas dos outros

dois, que ficaram,

abriram também.

 

Chefia chegou para

entender o que houve:

balançando a cabeça

foi ligar para

“não-sei-quem-lá”.

Parece mesmo

que iam chamar a

polícia.. e desde

então, nada mais

se fala ou se faz.

 

Silêncio grande.

Da copa até

o corredor,

nada se diz.

Chefia ao

celular, dando

notícias para

matriz; cara feia.

Até o ramal

parou de

tocar em

respeito!

Copeira chorou.

Garoto da

limpeza? Olhando

pro teto.

A perda era

tão sentida

que de lá,

só se ouviam soluços.

 

“Ninguém

sai e também

não entra

ninguém.

Até as 16h

um delegado

chegará”.. Muitas

perguntas….

Cada um

por si,

no seu

canto:

Situação

e.s.c.a.b.r.o.s.a.

O que dirão

na matriz?

 

Ainda lamentos

“não é possível

ter ladrão aqui”

dizia de lá ,baixinho.

Pesa o ar,

Baixa em todos

a potência de agir,

não se sabe o que vem.

 

Alguém avisou em casa,

sutilmente, murmurando:

“caldo entornou vou

ter que esperar”;

Todos terão.

“E o spinning?”

“foi pro beleléu”.

 

Já passava das 17h

e nenhuma novidade.

Consolo? também não.

Todo mundo se

olhava de canto.

 

Da recepção se ouviu

o ramal e parece que

era a autoridade

que fora chamada.

“Chapa vai esquentar”

foi o pensamento geral.

Delegado de certo

não seria…tão pouco ninguém

sabia quem de fato

era e o que poderia

fazer e o que não

poderia.

Murmúrio? muitos…

 

Chefia foi atender

Traz com ele  um senhor

Calvo e magrelo.

Vão para sala de meeting.

No caminho, pediram

café e água e a copeira

olhava para uma miragem

fungando e tremendo…

devia estar com medo.

 

Café fresquinho, água

no copo de vidro,

bandeja e toalha

e lá foi ela olhando

pro chão.

 

Como seria e o quê,

quem saberia?

O certo é que

nada se fez e

nada se fará

até o the end.

 

O cara que chegou

cheio de poder

e foi lá para

sala do meeting

ia chamando cada um…

“Pode isso? “todos

se perguntavam;

“Eram obrigados

a responder pro

carinha lá?”

Grande controvérsia:

“E..se…negar de ir conversar

Pode chamar culpa,

atenção, Ou fica assim?”

Fica assim!

 

Chamada a moça do

contas-a-pagar.

Foi lá e demorou

uma meia hora, pegou

a bolsa e saiu.

Falou nada com

ninguém do que

conversaram afinal…

 

A vez agora era

da garota da TI.

Essa, já botou no ombro

a bolsa: esperta!

Ficou por lá uns 20′

e, igualzinho a outra,

saiu direto.

 

A moça da copa

suava e apertava

as mãos, esperando

sua vez, nervosa.

Dava dó, sabia?

 

Já o menino da limpeza

mais calmo, ficou

no celular, jogando,

tipo “tô-nem-aí”,

será mesmo?

Ih.. Chamaram! Lá se foi

ele, olhando para tela do cel.

A equipe, cá fora, num baita

suspense, pois nada se sabia.

 

Ficou por lá mais de 40′

Os ouvidos da equipe

esticaram tanto que

pareciam estilingues

prontos pro tiro!

Mas…. nada se ouvia,

droga!

De lá saiu, pegou

a mochila, pôs de lado,

e se mandou.

 

Neste meio tempo,

já tava um zumzum,

que se ouvia no

corredor, quando

da portaria, chamaram:

o contador atendeu

o interfone e mandou

subir.

Avisou que era o zelador

e mais não disse.

 

Os ômi deram uma pausa

na chamada para as conversas.

Apareceram para beber mais

água e ir ao banheiro, parece.

 

Chegou na recepção,

o zelador e trouxe

um pacote embaixo

do braço, apertado

no sovaco e largou lá .

 

2 da equipe pegaram o pacote

na recepção e trouxeram para o

salão grande .

O contador foi quem abriu

o pacote e em volta eram

mais de um milhão de olhos:

era isso mesmo : o esperado,

o sumido, intacto e brilhando,

Ô agonia!

 

Chamaram a chefia, que

chamou o moço magrelo

e um ficou olhando pro outro.

Mão na cabeça dum lado,

mão no queixo do outro.

Era humhum daqui e pigarro

dali. Pareciam não saber o que

fazer a partir de então…

O tagarela de finanças

perguntou: “tudo certo?

Vamos embora?”

E já foi pegando sua mochila

de grife espanhola e

mais não disse.

Ajeitou o cabelo,

foi embora, e todo mundo

o seguiu então.

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