Tatuagem, impressão
num grande órgão do corpo:
ideais, propósitos, saudades
um pouco de tudo o que
afeta, de algum modo.

Costume esquisito
que vai ao encontro
da dor de caso pensado,
com hora e local, tudo
agendado para sofrer.
Tem ainda o investimento
feito para o sofrer e, ainda,
depois cuidar do local
doído, protege-lo
até que venha a ser exibido.
Usando a pele como tela
como cartão, como papel,
corpos impressos vagueiam
em todos os lugares, mas
quem lê suas mensagens?

Em partes expostas ou
protegidas de acesso, mostram
experiências vividas em algum
momento que de tão marcantes
acabam por marcar por fora tb.

Religião, parentes, animais
de estimação, provérbios,
deidades, mitos, partituras,
muito se desenha em tatoos
nos corpos de todo o globo.

Já foram sinais de restrição
de convívio, e de homens do mar.
Marcados os sentenciados nos
campos, guetos e senzalas; estes
sem que sua vontade se impusesse.


Muitas marcas, muito o que
cortar e ferir o fino ornamento
que a todos cobre. Costume que
se perpetua e que sempre esteve,
por alguma razão, entre nós.
