Autoengano
- Trimmmmmmmmmmmmm
Estica a mão…
Maledeto despertador
O cérebro, máquina absurda
Já indica a função do snooze (thanksGod)
Afinal mais 10 minutos
Comprometerão em que?
O relógio, este criminoso
Cruel e insensível insiste
Mas, não olhar para ele
Acaba instantaneamente com
Seu pseudo-poder
Veste a calça e…
Um cadinho apertada né?
Assobia… esvazia o abdomen
Ah.. pulinhos ajudam
E consegue que a peça
Chegue a cintura
E feche.
Café corrido
Ih,,, um montão de açúcar?
Faz mal não, no resto do dia
Só adoçante
Corre mais um pouco
Percebe uma leseira hoje
Confere a bolsa
E o elevador resolve
Que vai participar do programa
De exasperação matinal
Da qual participa
Sem nenhum motivo
Na portaria, bom dia?
não dá
Tinha gente?
Como ver?
Esticou a mão e
quase tirou os óculos do cara
Que passava na outra direção
Entrou no taxi e o celular
Já tocou … motorista olhando
E se dá conta que a pasta
Ficou lá em cima da mesinha
Do quarto, no 19º andar
Quanto de autoEngano ?
Quanto?
2 lados da coisa
- Festas, abraços, brindes
mais comilança do que
de costume, mais euforia
mais álcool, mais gastos
mais solicitações
Tudo junto e ainda mais
arrumar a casa, a mesa,
fechar o exercício, fazer
o exercício e o amigo
oculto d’academia
Ligar para família que
mora longe, skype com
sobrinhos e tios
escolher a roupa ou
comprar uma nova?
Abastecer a dispensa,
as festas serão aqui?
ou vai levar um prato
e uma bebida para
casa do cunhado?
Arrumar as malas
para viagenzinha
curta pra ver
amigos e parentes
e só dar um beijo
E tem a corrida
de São Silvestre
que jurou que
ia correr neste ano
mas.. fica p/19?
Uma canseira só
e a impressão
que ainda falta
muito por fazer:
Piedade!
Economia Mental
Faz um certo tempo
que os estudiosos questionam toda a racionalidade que acreditamos ter na momento de tomada de decisões. Parece existir uma economia mental.
Daniel Kahneman e Tversky, lá pelos idos dos anos 70, em seus estudos de julgamento sobre incertezas e racionalidade, alertam que não necessariamente escolhemos a melhor opção.
Escolhas privilegiam alternativas que não trazem os melhores resultados!
Os estudos na área do comportamento com o foco na tomada de decisão influenciaram de maneira inequívoca o campo das ciências lançando as bases de novas investigações na economia.
O postulado é “o julgamento inferencial humano afasta-se sistematicamente do prescrito pelos modelos racionais de escolha”. Antes dos psicólogos, Simon, quase nos anos 60, já destacava a racionalidade limitada no tratamento das informações disponíveis.
Esta reflexão considera que utilizamos mecanismos simplificados em substituição àqueles outros, mais sofisticados, que consideram probabilidades e outros contextos. Assim, poupamos esforços e conseguimos, rapidamente, escolher alternativas sob um cenário de incertezas.
Lembremos que a conservação da nossa energia é “programa” implantado em nosso comportamento, desde sempre, em virtude da dificuldade de obter comida, lá nos tempos idos, e comida é nossa fonte de energia.
Logo, o programa visa a retenção dessa energia para que pudéssemos atravessar períodos mais longos sem fontes de reposição.
Esta também é uma das razões para evitarmos / contornarmos / ou até adiarmos/ a realização de tarefas que não nos parecem de simples realização.
Tarefas que teremos que raciocinar, pesquisar, comparar e resumir demandam expressivo gasto de energia e o programa pretende esta economia. Está criado então um mecanismo cognitivo para a solução de problemas de maneira mais simples ou até mesmo para que venhamos a adiar determinadas ações.
Considere, no entanto, que se tivéssemos que analisar as possíveis trajetórias que um tigre em nossa direção poderia tomar antes de corrermos, poderíamos não estar escrevendo este artigo.

Por outro lado: está amplamente difundido o conceito de alimentação saudável e seus benefícios para o corpo e mente; mas a escolha pelo consumo de fast food e de alimentos calóricos e bebidas açucaradas atravessa o cotidiano. É alternativa de menor custo, mais abundante e de recompensa imediata. Ou é o que se pensa como justificativa!
Outro exemplo da dupla de psicólogos: “Linda é solteira, franca, brilhante e tem 31 anos. Licenciada em fisolofia tinha interesse em questões de discriminação social e outros assuntos sociais à época da faculdade, participando também de manifestações anti-nucleares.Qual a mais provável das alternativas : a) Linda é bancária b)Linda é bancária e feminista?
Adotando a alternativa b como a de maior probabilidade estamos violando uma regra básica que identifica que a conjunção de probabilidades possivelmente ocorre em menor número.
Ou seja é mais provável que Linda seja bancária do que Linda seja bancária e seja também feminista.

No entanto, mesmo após conhecer a regra de probabilidade, intuitivamente, se considera que a alternativa b é ainda a mais provável, certo?
O que se pretende estabelecer é que ” a priori” nossa capacidade de tomar decisões no âmbito das probabilidades não é ótimo. Daniel_Kahneman
O que se distancia de estabelecer que nossa capacidade é inútil, bastando lembrar do tigre em nossa direção.
A situação agora é pedir um financiamento : o mecanismo de decisão aciona o cálculo do montante a pagar todo mes.
A taxa de juros neste momento não é considerada, via de regra, e a tomada de decisão toma por base o resultado daquele cálculo. Se a parcela a pagar “cabe” no seu orçamento, sinal verde para a tomada do financiamento.
Outro exemplo seguindo a situação acima: o financiamento foi pago e parte do dinheiro sobrou. Neste mesmo momento, você observa uma promoção de redução de até 50% no valor de um smarphone. Você compra o produto sem analisar se a redução realmente deixou o produto mais barato. Contabilidade mental
Ou se ele era ofertado, em outra revenda, sem desconto, por valor ainda menor !
As decisões financeiras exemplificadas foram irracionais e motivadas por uma demanda imediata.
Este cenário é frequente nas tomadas de decisão que tem foco específico.
Para elas se estabelecem mecanismos de simplificação, como acima exposto, que desconsideram toda uma serie de variáveis.
Acabamos por adotar “sempre” o comportamento que adotaríamos para fugir do tigre (para “carregar-nas-tintas”).
Estes exemplos também se inserem na teoria da “economia mental” ou”contabilidade mental”, criada pelo norte-americano Richard H. Thaler, ganhador do prêmio Nobel de Economia de 2017.
Ele revela que tomamos decisões criando contabilidades diferentes na nossa mente que nos enganam e nos levam a, muitas vezes, perder dinheiro.
É abundante o conhecimento de que dinheiro que é obtido de maneira fácil também é gasto de maneira fácil.
Também é da sabedoria popular que gastamos mais quando compramos com cartão de crédito do que quando compramos com o uso de moeda mesmo. Sendo que a fonte dos recursos é a mesma, ou seja, tanto a moeda quanto à fatura do cartão que será paga diz respeito à mesma fonte: você!
Portanto, desconfie das razões que você mesmo apresenta para adquirir aquela promoção imperdível.
Mas não pensa muito não e começa logo a correr se vier um tigre em sua direção, combinado?
Quando?
- Quando pode
tirar a a cinta
que disfarça
a cintura mais
roliça? - Quando pode
afrouxar o nó
da gravata
que disfarça
a camiseta? - Quando pode
pedir ajuda
uma palavra
um ouvido
um abraço? - Quando pode
deixar de ser
mais um pra
ser um em
especial? - Quando pode
cabelo branco,
peles de toda
cor, sotaques
de todo acento? - Quando pode
deixar quieto
quem não
gosta de farra
e agitar os de agito? - Quando pode trazer
Adalberto pro centro
da roda e deixar
ele dançar a ciranda
todo feliz? - Quando pode deixar
de fazer de conta
que tudo tá muito
bem qdo lá dentro
tá nada bem não?
- Quando?
