Dinossauros vagando pelo sul
do Brasil não se constitui em alucinação
tão somente. Até pode, mas não é
só isso, pois por lá estiveram
num passado distante.
Diversos deles, de diversos tamanhos
preferências de alimentação e tantas outras
características que quase não se enquadram
num mesmo grupo, inclusive para os menos
conhecedores destes saberes.
Viveram por muitas e muitas décadas
é o que nos parece, nestes outros tempos
tão distante daqueles em que lá mordiscavam
folhinhas tenras sob temperaturas quentes
e úmidas, os tais lagartos terríveis.
Mas até no nome não eram corretamente
descritos e assim ainda ocorre, com diversos
outros bichos, seres, situações e conflitos.
As descrições que assumimos são as que
nos parecem, sem nos importar se lhes faz jus.
Se nos parecem lagartos, pronto:
lagartos são e que se explodam as
demais partes daquele ser, que, de
fato, estão mais assemelhados aos jacarés e aves,
mas…. isso nos importa? claro que não.

À época em que os humanos não
tinham tantos recursos sofisticados,
caçaram sem dó dinossauros e outros bichos
para pegar só um naco de alimento
desperdiçando todo o resto. Novidade?
Gostamos de preservar, manter:
nos parece melhor, mais conveniente,
mais seguro, menos trabalhoso e,
impedindo a mudança, decretamos
em larga medida, a rapidez do seu fim.
Saltando no tempo, passando por
muito carbono, temos ainda a mesma
dificuldade em aceitar que tudo é
mudança e que para mudar há que
haver espaço para o erro.
Nem tudo é vitória como
consideramos; há caminhos que
podem e devem ter outras direções.
Há mudanças que podem até frustrar
demonstrando cabalmente nossa expectativa.
A certeza gostosa, quentinha e maternal
dificulta os avanços que fazem parte do curso
de todas as marés. E como a natureza não nos
obedece, de fato, impediu aos dinos o medo
de se tornarem galinhas.
A ideia veio daqui