Promovido e removido-um castigo disfarçado em promoção

promovido e removido principal

Quando um castigo é disfarçado em promoção

  • Acenando para
    o orgulho, bicho sedento
    de afagos e carinhos;
    bicho molengo que come
    porcarias:
  • A promoção de cargo é
    ofertada; às vezes, após
    conflito, às vezes, após
    conflitoS, às vezes
    sem se saber o motivo.
  • No âmbito da oferta,
    lá no meio, escondida,
    sem mostrar nem o
    rabinho, tá lá um danado,
    uma pena, um sofrer.
  • Tudo culpa do bicho molengo
    que bota rede de trama fechada
    no olho e nos ouvidos
    e se enxerga pior e o que
    se ouve não se entende
  • Estorietas que se comenta
    Daqui  e dali, no café e no
    almoço, na volta e na ida.
    Que os de fora percebem
    fácil o que o outro irá penar.
  • Estorieta só
    Só estorieta

 

  • Promoveatur ut amoveatur – Castigo disfarçado em promoção 1

  • Promovido e removido 2 – Eu sem nós 

Promovido e removido 3 – Que lugar!

  • Enfim seu lugar.

Máquina antiga,

Pouca memória,

Rede lenta,

Cadeira sem braço.

Silêncio no salão.

Ninguém se dava?

Nenhuma estória?

Manchete, política?

N.a.d.a.?

Aproveitaria,então.

Tarefas em dia,

planejamento futuro,

conferir,revisar,

E o dia passa.

Marcou o papo com o time

Para 15h, da tarde em pé mesmo,

sala de reunião?

O que é isso?

Por lá não sabiam.

Treinou, no almoço,

Aproveitou a solidão,

Gravou no celular,

um videozinho bacana

Ou pelo menos, tentou.

Voltando, um café…

Copa, sem microondas

2 térmicas..

Copos sem marca,

geladeira pequena, é..

Muito por se acostumar.

promovido e removido 3

Promovido e removido 4 – Quanto tempo?

  • 40 dias

ou 400?

difícil de

medir;

As vezes

eternidade,

as vezes

um sopro.

Amigos?

fez não:

gente

travada.

colegas?

dois, sem

muito

o que

pilhar.

Ninguém

de fato

que fizesse

diferença.

Silenciavam

na reunião

após sua fala;

Teriam entendido

ou tanto faz?

Saudades da

boa briga,

àquelas que se respeita

o oponente

e ganhar tem sabor.

Aqui neste fim

dimundo

parece que

desterraram

só meia-bocas,

só medianos.

Nem muito

Nem pouco.

Cumprindo

horário e só!

Ter a chefia

de gente sem

paladar, para

que servia?

Melhor nem.

Tanto brilho,

tanta capacidade

imersa na

mesmice

pequena e chata?

De fato, reconhece:

Foi castigo,

o que aos outros,

os de fora

pareceu promoção.

Reclamando muito?

Vem para cá você!

Promovido e removido 5 – Nada no front

  • Nada no radar

A situação se cristalizou

Ficou do mesmo jeito

Desde que chegou

E já não via como

Mudar.

Se não fez amigos antes,

Fazer novos não iria mais.

Sintonia? Nenhuma!

Era peça que não cabia

No quebra-cabeças.

Voltando no tempo

Lembrou da expectativa

Da mudança, uau!!

Tanta animação e planos

Para viver a.q.u.i.l.o….

Até se culpava um pouco;

U m pouco só.. Se tinha

uma performance

intensa, Isto não podia

ser ruim…

Mas parece que era:

Faria o e-mail para regressar

promovido e removido 5

Promovido e removido 6 – Triste fim?!

Acabou pensando…

Que o mega,

ultra,

blaster,

desafio estava ali

Podia encarar

o que tanto queria

sem depender da matriz.

Pensou em caçar seu próprio desafio,

que tal?

Simples?!?!?!

Não seria,

e ia custar caro

abrir mão do que tinha.

Dar tchau pro cartão de visita,

pro cargo,

pro plano de prev

e de saúde.

Dar tchau pro escritório,

pra rotina,

pro café,

pro elevador de todo dia.

Dar tchau pras pastas,

arquivos,

e-mails,

telefone,

dar tchau p/vaga de garagem.

Mas o danado do pensamento

tava na espreita,

se assanhando pro conflito.

Pegou sua lança

arrumou coragem

e se fazendo de forte

subiu no trapézio

tentando não cair

promovido e removido final

Servidão voluntária

Servidão Voluntária

Livro de La Boetie : Servidão voluntária

  • Um autor francês, de vida
    bem curta deixa em sua
    obra uma provocação
    daquelas de tirar o sono,
    de tirar o fôlego mesmo.
  • Deixando toda a sua
    produção para um amigo,
    hoje mais famoso, vai
    no cerne de uma questão
    que sempre incomoda:
  • Porque tantos se submetem
    a tão poucos? Perguntava
    lá no séc XVI : exércitos inteiros,
    no ontem e no hoje estabelecem
    combates de vidaemorte
    sob ordens de 2 ou 3.
  • Reis desfilam suas jóias
    caríssimas, morando em
    palácios soberbos num
    reinado onde tantos têm
    tão pouco.

 

  • Que mecanismo doido é
    este que seguimos, sem
    nos dar conta, em direção
    às algemas, mansos em
    nosso caminho de servir.

 

  • Que se faça distância do
    do servir que se faz voluntariamente,
    quando por decisão o que se faz é
    simplesmente servir;

 

  • A indagação aqui é outra : Veja o trecho:

Quero para já, se possível, esclarecer 
tão somente o fato de tantos homens, tantas vilas,
cidades e nações suportarem às vezes um tirano
que não tem outro poder de prejudicá-los
enquanto eles quiserem suportá-lo; que só lhes
pode fazer mal enquanto eles preferem agüentá-
lo a contrariá-lo”

  • É de beijar a lona, a pergunta…e tem mais

“Que vício monstruoso então é este que
sequer merece o nome vil de covardia? 
Que a natureza nega ter criado, a que a língua 
se recusa nomear?”

 

  • O nome é : Servidão voluntária;

é o que se estabelece em contra-ponto

a uma liberdade difícil de carregar.

 

  • Que resolvam tudo, que nos apontem caminhos,

que nos forneçam listas e dicas.

Que nos facilitem seguir bovinamente o caminho.

 

  • Muito antes de Sarte, Étienne de La Boétie

nos confronta com a doce, aconchegante

sensação de se sentir bem, que por hábito

experimentam os que servem sem pensar.

Servidão_Voluntaria

 

Fazer igual e resultado igual?

fazer_igual_resultado_diferente

Tempos em que fazer igual não conduz a resultado igual

Inda tá vingando uma
ideia que fazer igual
leva a um resultado
é sempre igual:
besta isto, né não?

Pode fazer igualzinho
mas Quem faz não
é mais o mesmo;
e o entorno? também não:
teve chuva, teve sol.

Pode seguir a receita
mas a cabeça
distraiu e sem saber
trouxe mais do que
era menos: e aí?

Deu certo daquela
vez, desta quem sabe?
pode seguir a regra
que seu olho já não
lê igual : e o choro

Que embaça a vista
e o medo que faz
barulho, e a coragem
que bota adrenalina,
não interferem?

E a mão que treme hoje
e ontem não tremia
e o passo que vacila
quando antes já corria,
e o cabelo que caiu?

Regras são para seguir
e muitas delas ajudam
a deter a barbárie
e a comedir o contato,
ora se não existissem?!

Garantia é que não há!
Esquece o piloto automático
de vez! O tempo agora é de
mão firme no leme, com
um olho no céu e outro no mar

A terceira margem do rio

Guimarães Rosa

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