Tua raiz te define, te fortalece
te aprisiona,te limita
te amarra no porão dos
fantasmas que dividem espaço
com outros e outros monstrengos.

Pela tua boca também
falam teus pais, teus avós
e os avós deles, e falam
também os que antes vieram
que não se sabe de onde…

O formato da tua mão
lembra a do teu tio, da irmã
da tua avó; teu nariz é do
jeito do nariz do irmão do
teu pai e também teu andar.
Teu medo e tua coragem
tem âncora no que te disseram
para cuidar ou se expor, para
encarar ou maldizer, e tudo
foi se misturando.

Vaticínio, sentença, expiação,
pagamento de carma de outros
ou o do teu próprio, é o que te disseram
e fez eco lá dentro, ou serviu para
encher a lata do lixo e saiu.
Quando te vêem, os que
conhecem aos teus ,também
a eles enxergam, nos detalhes
ou num traço mais aparente.
E aparente é o que fala.
A raiz te envergonha,
a raiz te diminui e tentas
esquecer, guardar no meio
do livro grosso da estante
que ninguém mais vai abrir.

A raiz te enaltece
a raiz te distingue
te faz mais nobre do
que os demais sem
qualquer mérito teu
Tal e qual a figueira
ou o baobá, como
cortar a raiz e permanecer
de pé ? e como ir muito mais
além do que na terra se segura?

A raiz que é tua e àquela
que encampaste por decisão,
formam a nutrição do teu tempo
e do tempo dos que virão, de ti
ou de outros tantos, como sempre foi.
Cravada na terra e no teu coração
mesmo que omitas, que veneres,
mesmo que te esqueças ou que
a todo momento relembres, faz
parte, em tudo e no todo de ti.







