Criança inquieta era
repleta de perguntas
que descarregava ao
redor, independente
de permissão.
Imaginativa e curiosa
desenhava, recortava
e tinha os dois pés
num futuro, no novo
que seria d.i.f.e.r.e.n.t.e!
Caixas comuns?
Transformava em naves
para, em segundos,
voar por aí levando todos
rapidamente aos seus destinos.

Dos jornais? fazia retalhos
que vestia bonecos com
as “roupas” deste papel .
Estavam protegidos da chuva,
do calor e do frio.
Rodava os textos
na certeza de que era
só acertar uma posição
e todas aqueles símbolos
fariam sentido.
Tinha raiva dos outros lendo
Perguntava a cada um
qual era a posição para
botar o texto no lugar certo
e ninguém contava. Ughrrr!
Acabou aprendendo
a ler e escrever e
então as fantasias e
estórias tiveram ainda
mais vigor, soltas no papel.
Adolescente, se irritava
com dificuldades tolas que
ainda existiam, como
guarda-chuvas, troco,
bueiros, engarrafamentos.
Tentava do seu jeito
entender como assuntos
comezinhos permaneciam
intactos e outros mais
complexos avançavam.
Foi entendendo que
o simples e o complexo
estão ancorados num
ponto de vista . De outro
ponto, tudo pode mudar.

Entender os muitos lados,
as possibilidades fractais
de uma verdade ,onde até mesmo
o tudo que se sabe é o pouco
do tanto que se desconhece, alivia.

Descartar o que se desconhece
como possibilidade é garantir
que o mapeamento de tudo
foi certeiro e garantidor. Sossegou?
Pronto: o insucesso ficou mais perto.
Manter a surpresa
mesmo já tendo pensado sobre,
é soltar as amarras do já sabido
e permitir que uma novidade venha
mesmo mostrar sua graça e leveza.






