Mesmo não estando mais em tempos românticos,
Eduardo Giannetti, economista e cientista social se aventura a olhar de maneira calorosa a possibilidade de um sonho brasileiro sob o Equador.
Interessado em revirar e remexer conceitos econômicos e seus indicadores, vagueia entre o passado e o futuro, costurando provocações sucessivas.
Trópicos Utópicos, assume uma crise civilizatória e rejeita as correntes mais otimistas de estas são as melhores épocas, onde enormes contingentes superaram a pobreza.
Alerta:
Está tudo certo?
Mesmo?
Ao longo do livro, organizado, como tantos outros de antigos filósofos, em artigos, vai sempre se afastando do normativo. É intencionalmente provocativo:
Soluções, quem as terá?
O autor não se arvora em garantias e nem flerta com listas numeradas nem 5 passos para o sucesso.

O que chama a atenção
- A estética adotada onde a ourivesaria dos mini-ensaios possibilita ao leitor um folhear descompromissado, num primeiro momento. Um trecho mais breve pode ser lido, e uma vez o enlace, é possível avançar para etapas mais densas da narrativa.
- Facilidade de comunicação, trazida das muitas aulas, debates, entrevistas e “caras-a-tapa” que o autor se envolve, desde muito tempo.
- Exemplos numéricos que, para muitos, como eu, explicam facilmente o argumento sustentado até então. Destaco o tema “ar condicionado”.
- Coragem de enfrentar indicadores e outros temas econômicos consolidados como o antigo PIB.
Fique alerta para estes trechos:
- A analise crítica quanto ao engessamento de conceitos, tais como felicidade.
- A construção de uma utopia de “sonho nacional” na contra-mão do tanto que se apregoa em termos de fluidez territorial. Para o autor o fato de poder me desterritorializar como brasileira e me fundir à cultura nipônica, se assim me convier, é preterido frente às características que todos, brasileiros, temos, lá no fundo.
- A visão da significativa importância da cultura afro e ameríndia em nosso “jeito-de-ser” em contraposição à tradicional, eurocêntrica.
- O questionamento do que é ter sucesso.
O que decepciona
- Fica para a segunda leitura, se for o caso.
Em resumo
É livro, em larga medida, de agradável e instigante leitura.
O saldo é um repertório ampliado para uma reflexão mais elaborada.
Que, afinal, me pareceu a tônica de todo o texto.
https://www.youtube.com/watch?v=8i6L1yJPmO8






