Sabe tudo, o exibido
Conhece dos assuntos
e opina sem se avexar.
Vai de um tema pra outro
em céu, sem tormenta.
Conhece a Europa
sabe de vinhos, de carnes,
sabe de cafés e cremes;
conhece também os
mais finos doces.
De moda, também
sabe: dos diferentes
looks numa pegada
étnica ou boho ou dos
saltos do Christian Louboutin
Saltos, esgrima, badminton
praticou cada um, saca bem
das regras e manhas para
se dar bem. Maratonas na
Argentina e USA? também.
Poesia e prosa, claro
que é fera! Cita autores
livros, trechos de cor
sem saltear, indo do
Guimarães ao MC da vez.
Música então é
covardia do tanto que
conhece: rondó veneziano,
allegro e minuetos fazem
parte da ópera diária.
Tipo que estufa o
peito, exibindo o externo
proeminente que só.
Ombros para trás e
escápulas unidas.
Talvez encontre
em alguma esquina
um parente, um igual
que lhe faça graça ou
raiva. Por aqui, encheu!
As rodas já se abrem
com sua chegada e, aos
poucos, todos vão saindo.
Os conhecidos não
aguentam mais o pavoneio.
De monólogo e causos
contados em minúcias,
o exibido vai falando,
sem se dar conta que
paredes não conversam.
Talvez lhe agrade e
lhe faça sair do palco
e das luzes uma cutucada
um pisão no pé, um caô
bem mandado na lata.
Diz aí, agora e sem
muito enrolar que o
papo é reto. Responde
sem gaguejar
Qual é a cor da neve?

