Veio direto
não teve cumprimento,
conversa cerca lourenço,
firulas, disfarces
pedindo o que queria saber.

De chofre, de pronto
foi logo pedindo uma
resposta, um conselho,
uma saída para uma
situação complicada.

Desandou a falar
sem pedir licença,
sem saber se podia,
sem se importar mesmo:
desfilou a estória
Quanto mais falava
mais se inflamava
tom de voz subindo
e todos em volta
olhando, boca aberta.
Quem escutava
também de boca
aberta, nada entendia:
qual a razão de ter sido
a escolha… não sabia.
A estória era comprida
tinha idas e voltas, tinha
franjas e adjetivos muitos.
Tinha emoção fervente
que esquentava ao redor.

Quem ouvia se perguntava
nos pequenos intervalos para
o fôlego, que raios acontecia
e o que deveria fazer:
levantar e ir embora, pode?
A estória não tinha fim,
parecia que a fala durava horas.
Quem ouvia já tinha perdido
quase todo o sentido,
ficara mesmo ensimesmado.
Nada dura para sempre
é o consolo e a angústia
de todos. Também,a estória
acabou. Momento de renovar
a pergunta: o que fazer?
Um remédio, uma mágica
um passe, um unguento,
uma massagem, um sopro?
quem sabe o que dizer
numa estória destas?

Silêncio finalmente;
uns momentos de pausa
mas que não abasteceram
condições para a resposta
e sanar a aflição.
E num rompante
quase um vazamento
se ouviu “NÃO SEI!
seguido de: NEM PARA
MIM! SÓ VOCÊ PODE SABER!
Levantou; saiu da cena,
rodeado do ar quente que
em volta de todos cresceu.
Caras perplexas, bocas
mais abertas a.i.n.d.a
Estava certo? ou errado?
plateia dividida. Pouca
empatia? Faltou coração?
Ou de fato não dava mais
para suportar aquela situação?
Quem não quer um conselho?
alguém que resolva todas as encrencas
que moram no peito, perto do pulmão?
quem não quer uma capa para ficar
invisível e simplesmente fugir?
NÃO SEI e Só VOCÊ pode SABER
ficou zoando por sobre as cabeças
entrando vagarosamente em cada
um como uma pontada, um corte,
um jeito de retomar o que se perdeu.


