Vai um risco aí?

Sirva-se sem rapapés

e de melindres não me

fale. Pode pegar mais

de um, mesmo com a

luz acesa.

 

Escolha o que lhe apetece

ou o que nunca provou

e sempre teve aquela

vontadezinha escondida:

é o momento!

 

Talvez esteja um pouco

quente ou frio demais;

nada que não possa

ser revertido.  Afinal

considere o calor da hora.

 

Teve ímpeto de se empapuçar

e sorver o último pedaço do

pacote? Não se aperreie,

nesta fase é lícito exagerar

e não se conter.

 

Consequências sempre há,

mesmo na pasmaceira da

quietude do tudo-como

sempre-foi. Melhor fechar

os olhinhos e se atirar…

 

Conselhos em contrário

existirão aos montes e

quem dá assunto a paisagem

é pintor de feirinha. Vá pela

sua cabeça ou seu coração.

 

Se der tudo errado e a culpa

se apresentar na frente do

seu nariz: negocie. Pode ser

apenas um traço e nada mais.

 

 

 

Quem foi?

Olhando pro lado e pro outro,

pra cima e para baixo;

muita pose… encarando

a mesa ou a tela… disfarça:

“muito o que fazer”

 

Desviando das tarefas,

terceiriza o protagonismo:

recolhe as mãozinhas tal

como Horácio, o dino,

e nunca é sua vez.

 

Senta no pelotão

dos fundos, na turma,

sem responder. Atrever-se

a resposta ou a ajudar?

Para quê?

 

Atribui o insucesso,

o infortúnio às

condições do clima,

às más companhias,

à família, à Lua na casa V

 

Se por descuido, acaba

num beco sem saída,

fecha os olhos, abaixa

a cabeça e já mareja

os olhinhos… é o fim!

 

Sua chance de assumir

o que quer que seja,

nos inúmeros eventos

da vida é infinitesimal:

nem consta do seu repertório.

 

Par ou ímpar?

É imediata a conexão

com os pares. Um diz

uma palavra e o outro

já completa. Nem precisa

arquear a sobrancelha

 

As risadas costumam ser

originadas dos mesmos

estímulos e, por vezes,

até em questões menores

a similitude diz: presente!

 

Podem existir pequenas

rachaduras, aqui e ali mas

nada que um, no fundo,

não pense que é só implicância

do outro. No fundo tudo igual

 

Da primeira simpatia, vem a

segunda e a quinquagésima

logarítmica neperiana e um

convoca o outro pro time,

para empresa, pra padrinho

 

Aos ímpares o tratamento é

reservado, com passa-fita de

chateação e ornamentos de

desconfiança. De onde saiu

aquela criatura, MeoDeos?

 

Numa pequena divergência

se instala um canyon.

É comum a visita aos

tribunais ou mediação

para dirimir com quem fica a galinha

 

Pelo fato de existirem em teoria,

não há vacina para o desassossego do

encontro à vera. Até mesmo rezas,

em alguns casos, costumam ter

origem neles. É o que se sabe por aí

 

Os ímpares costumam constranger

e estressar avaliações, critérios e palpites

que lá estavam, tão bonitinhos, no aconchego

das piscadelas entre os pares.

E é deste confronto que há crescimento

 

Para ratificar o que já estava,

Para substituir o que não devia,

Para misturar um e outro

e sair uma outra ideia, projeto,

pessoa. Danados estes tipos!

 

Detalhes, eles não têm culpa

Fala-se mal deles com tal

veemência e costume que

assumem caráter, natureza

distante do que é bom e

desejável

 

Alguns dizem que são morada

do “que-não-presta” e que devemos

nos manter vigilantes para não nos

deixar atacar. Afasta de mim!

É o que dizem…

 

Outros nem deles se apercebem,

é tanto no que pensar, cuidar, pagar,

fingir que nem vistos são. Por felicidade,

ou tristeza, passam incólumes pelo

cotidiano e assim ficam por lá

 

Há um grupo,  no entanto, que gosta do

perigo e sempre lhes dá assunto…

Flertam mesmo, piscando pálpebras que

ainda é usual… ou era, tempos idos, já

não se sabe mais

 

Neste grupo destemido, estão os de

peito inflado e também os de lente

grossa. Os que não costumam falar

pelos 7 ventos e àqueles que parecem

cabeça vazia. Só que não!

 

Perigosos, cheios de carisma, desafios

certeiros à paciência e ao controle de

emoções, são eles, os detalhes, que

podem fazer mágica que resulte em

tragédia ou esplendor

 

 

A sua idade

Contação de estórias, de casos, de experiências. Costumam dizer que é mania dos velhos

A alegação tem motivo: se muito jovem, que estórias terá para contar, de fato?

Dita mania, palavrinha que enseja loucura, tem raiz antiga, vetusta mesmo.

Difícil uma civilização existir alguém contando pro outro algo que viveu

Até mesmo infortúnios costumam ser tratados, estes, no entanto, só com os eleitos.

Aos “de fora” não é usual contar de fracassos, revezes e nem de sonhos. São tesouros!

O silogismo se enriquece com o aumento do repertório e a vivência o concede

Não por garantia atávica e indiscutível, isto também se sabe… ou se deveria

De tal sorte que o grupo que já passou dos 70 não se sinta oráculo e os que tem menos de 30 que se sintam confiáveis

Tudo depende da sua idade

 

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