Controvérsia, uma maneira de se sobressair?

Controvérsia, disse-me-disse

balbúrdia e confusão

muitos usam para botar o pescoço

acima da linha dos demais e

aparecer que é o que importa

Opinião mais firme, sem chance

para um contraditório, ou a desqualificação

do argumento contrário, com foco em

quem fala e não no quê fala

e assim se destacar

Criar um desconforto na conversa

uma situação vexatória para o discordar

também é ferramenta útil para que

os holofotes girem para a sua direção

e que todos cochichem, (coisa boa)

Mesmo empresas, em seus

planejamentos ou pela falta deles

nunca se sabe, assumem posturas

com a intenção de “dar-o-que-falar”

e, deste modo, se posicionam diferente

Escândalos são descobertos ou

plantados? Envolvimentos nem sempre

ortodoxos são mais uma manobra ou

de fato acontecem? Fica cada vez

mais borrada a fronteira entre um e outro

A desculpa, o sem-querer, o sem intenção

continua valendo como escudo para

palavras rudes, insinuações maliciosas,

julgamentos preconceituosos e toda

uma série de agressões veladas

As batalhas sem sangue, sem lama,

sem trincheiras, sem farrapos, cedeu

definitivamente seu local para matanças

hight-tech, desempenhadas por drones

assépticos, sem adrenalina ou fedor de morte

E mesmo àqueles que num primeiro

olhar podem ser reconhecidos como

de bom comportamento podem, apenas

ser o espelho do que se gosta, do que

se entende por correto, da bolha nossa

Deste modo permanecem desiguais

as antigas desigualdades, permanecem

sem acesso os que nunca os tiveram,

permanecem longe do processo

civilizatório, seja lá o que isso signifique.

A intenção e o efeito, amantes

eternos, bailam diante de todos os

narizes, ficando a cada passo mais

complexo, mais refinado o minueto

que enfeitiça e adormece o pensamento

 

Qual é a jogada?

 

 

 

 

 

 

Ofender, injuriar,humilhar…quem pode fazer isso?

ofender

Ofender, por pra baixo,

desconstruir, abrir uma brecha,

uma ruptura, craquelar a imagem

de forma profunda e, via de regra

dolorosa… quem pode?

Tem relação com a expectativa

que se deposita lá dentro, no espelho,

ou que criam e, de um certo modo, que

talvez não seja certo, se alimenta,

tem relação de causa e efeito

É o que se evita, se previne

se teme, do fio de cabelo ao dedo

do pé. O que se pode fazer para

driblar um estrago destes, se faz

com todo o esforço e esmero.

O gozo de quem humilha,

de quem acossa e destrói,

o outro é imaginado como

pleno, inebriante, magnífico,

daqueles que tocam o céu.

E quem é atingido, quem

sofre, o destino da flecha

que partiu do arco de

perfeita mira, se contorce

no presente e no futuro

Com muita chance, muita

mesmo, haverá uma recuperação

via de regra, superficial e instável

que, sob risco da mesma ameaça

irá revisitar todo o sofrimento

Quem está de fora, quem não

pode atingir nem sofrer, não faz

parte, tem ainda maior condição

de entender o que se passa ou

nada pode depreender daquilo?

Seja choro, seja grito, seja

puxar o cabelo ou trancar o queixo

seja como for, quem pode, quem

tem o dom ou a permissão de atingir

um outro com tamanha profundidade?

humilhação

 

Quer um mal entendido? Se esforça para explicar

explicação

Um mal entendido, uma confusão

um disse que não disse, que entendeu

que tinha dito, ou calado, na hora certa

que nunca é a agá, nunca é…

e rolou.

Quanto mais tentava explicar

e esclarecer e argumentar os

diversos pontos de vista e invalidar

os contrários, mais se enredava

e mais…e mais…e mais

Nem o ar dava tempo de tomar

pois era um tiroteio de explicações

que em nada explicam o que sequer

entendeu de fato o que foi, só sabe

que não consegue se safar

Que afinal é o que mais deseja:

explicar e pronto, é só isso o que

falta para o outro lado entender,

pois, afinal, é sempre nisso que

tudo reside: explicar

Tem um lado certo e um outro

errado; quando se sabe em qual

lado está fica bem fácil, explica

devagarzinho, repetidamente,

que acaba dando certo.

Impossível não entender

o que argumentara tão coerente,

tão conclusiva, tão ponderadamente.

Seria incapacidade de lidar com

argumentos mais…complexos?

Ou seria pura teimosia, pura

marra, bater o pé e fincar posição

quando já se sabe que se está

num lado errado, num lado que

não irá vencer de jeito algum.

Vai repetir de novo toda

a argumentação, com todo

o vagar, com toda a paciência,

na esperança que desta vez

vai conseguir resolver.

Ou simplesmente conseguir

arrematar a conversa com

duas ou três citações daquelas

que o outro lado fica sem controle

de mandíbula e olhos sem cor .

Fechar assim o desentendido

que não se resolveu mas que parece

e parecer é sempre o melhor dos consolos

é quase  uma trégua quando se está

bem perto de não mais poder.

 

Competição, por quem vai torcer?

Competição com data marcada,

dia 28 as 9h30 e nada de recuar

Era o teste tão esperado e dava

até um nó comprido do pescoço

até dentro da barriga.

Havia nutrido a máquina com

zilhões de dados e informações

tentando reunir material suficiente,

para que conseguisse superar

os embates previstos

A equipe toda estava tensa,

havia tanto trabalho envolvido…

horas e horas, extras por fora,

lanches e pizzas, muito café,

balas; quilos a mais para todos

E o peso maior não era só

físico, tinha grana alta na

parada, apostas da direção

e uma divulgação que

chegou aos confins do Judas

Nunca se ouviu falar de

uma testagem deste tipo,

o que conferia ainda mais

brilho e terror à contenda.

Ah sim, havia oração e muita

Foi quando se deu conta,

quando caiu a ficha que de

fato estava torcendo pela

máquina neste enfrentamento

o que lhe pareceu engraçado.

Uma graça sem jeito

na contra-mão, enviesada,

de través… desejar pelo fracasso

do oponente, que era seu igual

e pela vitória da machine

Cavucou lá dentro de si

algum palpite infeliz, algum

caldo de ética que lhe apontasse

se estava correto seu desejo

ou se, na boa, era um descalabro

Só encontrou mais dúvidas

e era tudo o que não desejava.

Afinal ainda tinha ajustes.

Simulações por emular no

ambiente fora de produção

Qual espinha de peixe

atravessada, manteve a

dúvida na redoma da obsessão

silenciosa e partiu para

o trabalho, tampando a lente.

Subiu mais uns 200 artigos

papers importantes e renomados

para serem absorvidos em fração

milionésima do log neperiano

com tudo arriado na memória ram

Verificou a segurança, padrões

requisitos e processos, checou demais

condições e a espinha?foi se abaulando,

criando uma curva funda que fazia

com que fosse descendo…descendo…

Chegaria em breve o grande

momento em que toda a equipe

roeria as unhas por muitos instantes

até se atingir o resultado tão

esperado… que era mesmo qual?

Ataque de nervos, sofrimento previsto?

ataque de nervos

Arrumando novamente

malas, pastas, roupas,

escova, gravata, meia

carregadores, adaptadores

traquitandas mil

Nem consultava mais

a lista, sabia de cor tudo

o que deveria levar e

dobrar, enrolar, por dentro

do que e como.

Mais 10 dias longe

de casa, do cachorro

que está doentinho, do

roupão velho, da água

que bebe no gargalo

Neste mês já foram

duas e no mês passado

3 e 2 no próximo. Assim

tem sido, faz tempo.

Ué, trocaram a torradeira?

Nem sabe o que

rola por aqui, em que

perrengue estão metidos

os meninos. Do par então…

melhor nem lembrar.

Sente que tudo

acumula em algum lugar

do tronco, que tem um

tubo, que insiste em

arder, ao longo do dia.

O colega vai passar

de compartilhado para

rachar a ida pro aeroporto

dentro de 10 minutos. De novo,

não dá tempo pra conversa.

O snooze do despertador

comeu 10 minutos que agora

fazem falta para ao menos

falar abobrinha em casa

e saber qualquer coisa

Fecha a mala de carrinho

ajeita a roupa frente ao

espelho que devolve rugas

para todo lado e olheiras tb

Deu vontade de ter um ataque

Passou a vontade, respirou

fundo e seguiu;um perfume,

um alinhamento de cabelo,

uma postura para enfrentar

mais uma batalha… vai seguir.

Chega na porta de saída,

mas o cachorro nem levanta,

nem acena com o rabo,

está mesmo doente…e

deve ser sério, deve ser…

Grita tchau para todo

mundo, com voz de vapor

d’água, sem cor, sem cheiro

sem gosto, só tchau e segue

arrastando a mala pelo corredor

 

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