Um mal entendido, uma confusão
um disse que não disse, que entendeu
que tinha dito, ou calado, na hora certa
que nunca é a agá, nunca é…
e rolou.
Quanto mais tentava explicar
e esclarecer e argumentar os
diversos pontos de vista e invalidar
os contrários, mais se enredava
e mais…e mais…e mais
Nem o ar dava tempo de tomar
pois era um tiroteio de explicações
que em nada explicam o que sequer
entendeu de fato o que foi, só sabe
que não consegue se safar
Que afinal é o que mais deseja:
explicar e pronto, é só isso o que
falta para o outro lado entender,
pois, afinal, é sempre nisso que
tudo reside: explicar
Tem um lado certo e um outro
errado; quando se sabe em qual
lado está fica bem fácil, explica
devagarzinho, repetidamente,
que acaba dando certo.
Impossível não entender
o que argumentara tão coerente,
tão conclusiva, tão ponderadamente.
Seria incapacidade de lidar com
argumentos mais…complexos?
Ou seria pura teimosia, pura
marra, bater o pé e fincar posição
quando já se sabe que se está
num lado errado, num lado que
não irá vencer de jeito algum.
Vai repetir de novo toda
a argumentação, com todo
o vagar, com toda a paciência,
na esperança que desta vez
vai conseguir resolver.
Ou simplesmente conseguir
arrematar a conversa com
duas ou três citações daquelas
que o outro lado fica sem controle
de mandíbula e olhos sem cor .
Fechar assim o desentendido
que não se resolveu mas que parece
e parecer é sempre o melhor dos consolos
é quase uma trégua quando se está
bem perto de não mais poder.

