Pedra de toque ou de tropeço

Para cada passo

pode ter um desafio

ou um estímulo

para seguir ou

desistir

 

No meeting, no call,

nos estudos e no

date, what-ever, há

complicações e facilidades

distribuídas ao léu

 

Vez por outra o olhar

se fixa num lado e

cadê conseguir ver

o outro? Como que

frozen, sem Elza

 

Vez por outra aparecem

indícios, sugestões que

esclarecem, que abrem

janelas que nem se sabiam

fechadas

 

Vez por outra há ventos

que fecham janelas abertas,

chuvas torrentes sobre a

colheita, sol escaldante

estorricando miolos

 

Vez por outra os lugares

são trocados, quem foi

facilitador vira entrave

e nem percebe. Tá,

tem os que até gostam

 

Pedra de toque ou de

tropeço… estão por aí,

decorando a paisagem

e também inspirando

a gente a ser quem se é

 

 

Por que falamos do que falamos?

Assim, na primeira passada d’olhos

pode não fazer muito sentido

o que trazemos na comunicação:

esperava “técnica” e recebeu

“humanas”. Já passou por isso?

 

A falta de sentido no primeiro

contato é desestabilizador…

Demanda grande esforço de

reprogramação da cabeça e

disso ninguém gosta

 

O desejado é entender logo e

passar pro parágrafo 5 ou pular

de cabeça na conclusão e ir

comer o misto quente. SQN

A complexidade é bruxa, sabia?

 

O peteleco e o cutucão estão

ali, no pedaço que não se entende,

no trecho que ferve os miolos

e faz os olhos revirarem à direita

e para acima. Micro expressões!

 

Para lembrar: existem aspectos

muitos que não se controla e

com os quais há que topar por aí.

O que se faz com isso é calosidade

de cada um. Maior ou menor

 

Se vez por outra, misturado no

comezinho não houver chacoalhada

“vamocombiná” é show de patinação

no gelo. Todos deslizado lindamente

sempre na s.u.p.e.r.f.í.c.i.e

 

E se não entendeu patavinas do que

leu, se avexe não. Tenha paciência

ou dó do emitente da mensagem:

respirar fundo, contar até 303 ou

apertar o F5 podem ajudar

 

Pode também pressionar o

delete, sair andando de lado,

fazer semblante de natureza

morta e deixar pra depois.

Melhor ainda: pergunta p Google.

Quem não deve não tem

Pode causar espanto:

é comum entender

que poupar, economizar

é o que move os vôos

mais altos

 

Poupar é adiar, é

tratar o sonho aos

golpes de bota

na vã intenção que

a adiante tudo fica bem

 

Economizar é deixar

de aplicar à plena energia

no instante presente

numa promessa comprada

de que tudo vai ficar bem

 

Muitos repetem, exaustivamente

que esta é a fórmula única, absoluta

e perfeita para aumentar as posses

e trazer paz de espírito aos tempos

futuros.

 

Muitos repetem e o que é muito

repetido costuma virar rochedo

precisando de muita água batendo

para furar. Valerá a pena, valerá

o sofrimento agora por sabe-se-lá?

 

O trade-off está sempre posto

à mesa, perto do bacalhau e

do palito. Fazer a pergunta

ao garçom: o que comer? pode

mesmo ser grande risco

Pensar antes ou depois

Há os que sabem

sempre a melhor

opção. Sabem se

partem flecheiros

ou se fincam o pé.

 

Há os que sabem

partir ligeiros.

Atacam tarefas,

ideias, atacam

conversa e conquista.

 

Há os que sabem

parar. Sabem observar,

analisar, ponderar e

muitos outros “ar”

nessa vida.

 

Há também os que

não sabem. Confundem

quando é para avançar

e quando seguir é o

pior a fazer.

 

Há, ainda, os que tateiam,

experimentam um e outro

com acertos e erros aleatórios,

ranqueando no pelotão que

nunca leva medalha.

 

Um tanto de tolice,

outro de esperteza;

um não-sei-quê na

sorte ou sina ao nascer:

tudo junto somos nós!

 

Prometeu : Vem de PRO-, “à frente”, mais MANTHAINEIN, “aprender, pensar”. Ele era “o que prevê, o que pensa à frente”.
Epimeteu (um dos seus irmãos): Era quem pensava depois

Quando acabar de crescer, quem vai ser?

Faz parte das brincadeiras,

devanear…ah o futuro que

divertido; quando há

muito futuro, vale especular

quando há muito tempo.

 

Astronauta, gari,

domadora de leão,

bombeiro, equilibrista,

e a imaginação vai

pintando tudo na mente…

 

Tem gente que sempre

soube e segue à risca de

amarelinha no chão o que

ia ser. Virou dentista ou

banqueteiro cheio de satisfação…

 

Tem gente que nunca soube

ou, talvez, sempre soube que

não sabia… ora advogada ora

designer de joias ou nutricionista;

ai MeuDeus, tem que escolher?!?

 

As vielas foram se abrindo…

o aleatório e a intenção se misturando,

de tal sorte, que acabou por cursar

ciências atuariais. Mundo das

contas, resumos e evoluções. É isto.

 

Fez mestrado em história da ciência

e pós-doc em filologia. Tudo bem,

que assim seja e que à nós não

desampare. Afinal, todos os caminhos

levam a Cesar que deve ficar c seu quinhão.

 

Nem lembra do que pensara ser quando

infante; quando lembra perdeu as certezas

e razões de chegar onde está. Está numa

boa, média, ou suportável e nada

pode fazer o danado do clock voltar

 

Ficamos assim: quites. Respeito e

sossego também ajudam na digestão

do ovo mexido da janta.

Quem sabe não é  apenas um pit-stop,

quem sabe ainda não acabou de crescer?

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