Robôs na última ceia – audácia ou perícia?

Robôs na última ceia

Robôs na última ceia – um caso de audácia ou de perícia?

  • São 12 robôs que participam,

reunidos em volta da mesa

num ambiente sombrio,

onde a audácia toma a cena

envolta numa perícia de” Leonardo”

E o breve tempo avança

  • Mesmo sendo curta a exposição,

só dois minutos e pouco, o envolvimento

se dá, tanto pelas vozes de timbre

rouco, quase gutural, quanto pelo

texto, pela luz, pelo conjunto.

  • São robôs e já não importa

Basta passar um tempinho

e os robôs já não importam,

já não há mais distanciamento

difícil pensar durante,

Difícil lembrar de máquinas

  • A música

Talvez figure entre o que

mais contribui para o enlace é

a música que vai tecendo

eficazmente a teia em que

enredado fica quem assiste

A divisão dos canais de som

  • Vozes muito acertadamente

concebidas se distribuem

à direita e à esquerda, envolvendo

ainda mais e por isto não há

olho que fique longe da tela

Assiste de novo

  • Uma vez refeito e desenlaçado

Assiste de novo e de novo

o enlace se dá quase que

com vida própria, quase

como refém do autor.

Robôs espelhos de humanos

Servidos à mesa, em estado cru,

estão conceitos, pré-conceitos,

questões de moral, de vida e de

morte, nada novo,

nada resolvido, afinal.

Banal e profundo

O cenário e a trama

a música e as vozes

a luz e as figuras, as falas

tudo banal que invade a

cabeça mais do que 2′

https://youtu.be/B4-GD9VrqPw

Gaspar,Melchior e Baltazar e a epifania que não teve Artaban

reis magos

Vindo de terras distantes
é o que sempre se ouviu
falar, magos viajaram
guiados por uma estrela
e inspirados pelo céu

Uma visão, uma profecia
uma ideia, um transe
dando conta de que
iriam conhecer o divino
que se fez homem

C/Herodes conversaram
e uma vez mais a intuição ou
o sopro dos anjos fez com
que seguissem seu rumo
sem dar notícias, na volta

Trouxeram, cada um deles,
presentes repletos de
significados simbólicos
ouro, incenso e mirra
ofertados ao recém-nascido

Se eram 3 ou se 3 foram os
presentes, se eram persas
ou africanos, sacerdotes,
conselheiros ou magos
não se sabe até aqui.

O ouro: a realeza e
proteção, o incenso:
a fé e a mirra: o
o martírio que viria
tudo dado por lá.

Para eles a epifania!

Que Artaban não teve!

 

 

Tradições na vida – Ernesto ensina num desenho da Disney

tradições na vida

  • Ele é moreno

    Cabelos pretos
    Fala espanhol
    Um menino e
    suas tradições

 

  • Vem de um canto

do mundo em que

o canto, a guitarra

e a dança são banais
no dia-a-dia

Imagem relacionada

  • Vem de um canto do

    mundo que faz fronteira,
    ou que fizeram uma
    fronteira, que não existia,
    com outro Grande canto

 

  • O menino tem família

    e mais : tem ancestrais!
    Ernesto e seus rituais
    faz sua estória impressa
    em cada pedacinho do menino

Resultado de imagem para cultura mexicana de ancestrais

  • Um desenho animado

    que anima a reflexão
    do tanto que se trás
    dos que antes por aqui
    passaram.

 

  • De tantos cruzamentos

    de tantas famílias e
    de tantas estórias
    de tantas poeiras
    que fizeram o que somos

 

  • O que te  faz ser quem é?

    Quem te faz ser quem é?
    Uma guitarra, um canto?
    Ernesto ensina
    o que forma nosso poder.

https://www.youtube.com/watch?v=DFjiVouGCic

Tudo veio do lixo, da poeira, inclusive eu e você

poeira de estrelas
  • Espremendo com  vontade
    uma couve, um boi, ou a gente
    o que sobra é água
    e um cadinho de matéria,
    uns 10% vai.
  • E no vasto universo
    finito ou infinito
    que se parece com
    balão de gás, água  é
    o que há. E muito!
  • Nos planetas
    distantes daqui
    água, não líquida
    é encontrada com
    facilidade.
  • E é nela que começa
    tudo, juntando
    outros elementos
    daquela tabela que
    ninguém lembra mais.
  • De água e elementos
    a vida se fez e cá estamos
    por uma razão pouco
    comum. Dos demais só
    restaram nós, sapiens
  • Estes elementos também
    se encontram nas estrelas
    que junto com os planetas
    compõem galáxias, nada
    de mais, tudo poeira.
  • Poeira,lixo comum
    nada extraordinário
    banal e insignificante:
    E é disto o que somos
    eu e você: poeira!
    https://glo.bo/2j4oYxa

Como me tornei estupido – livro de Martin Page

Figura da monalisa mostrando a língua num gesto estúpido

Como faz para ser estúpido? Martin Page tenta responder

Martin Page, um garoto de pouco mais de 40 anos, antropólogo, tenta responder a pergunta.

O objetivo, disfarçado na busca em levar uma vida tranquila, pelo autor, é criticar o estilo e a forma com que se vive.

Em tom que tangencia ora a comicidade ora o drama faz uma narrativa fluida de costumes e valores do início dos anos 2000.

Mostra ainda o grau de complexidade envolvido em atingir a meta proposta pelo título do livro : se tornar um estupido.

Ao longo do texto, fica claro que diversas decisões deverão ser tomadas afim de que Antoine, o protagonista, leve ao fim e a cabo seu intento.

como me tornei estupido- capa do livro

O que chama a atenção no livro

  1. Page é bom construtor de diálogos. Prende a atenção do leitor fazendo com que o interesse em avançar pelas cento e poucas páginas permaneça. Em tempos de pouca concentração e inúmeros estímulos é vantagem competitiva para ele.
  2. O tom adotado é direto, sobejamente coloquial, sendo desnecessária, na tradução de Carlos Nougué, a pesquisa de vocabulário. De fato, não foi necessário recorrer à quaisquer ajudas.
  3. A narrativa é crescente mas sem sobressaltos. Mesmo sem adotar a inquietação permanente no leitor, é possível observar que Antoine vai percorrendo caminhos cada vez mais… “maduros” para um jovem de 25 anos. Há que se registrar que o protagonista não iria concordar com o adjetivo jovem; entretanto explicações não podem ser fornecidas sob pena de retirar apetitosos momentos na leitura.

Fique alerta para estes trechos do texto:

  1. A tentativa de Antoine se tornar um alcoólico. : Vários sub textos no texto principal podem ser observados ,até mesmo para os abstêmios .
  2. O curso para suicídio : Outros sub textos e críticas, nesta etapa do livro, mais explícitas, aos valores que norteiam a existência.
  3.  A visita do fantasma e o rapto de Antoine : flertando com o “non-sense” Martin Page se afasta do tom que atribuíra até aqui e envereda por novas elaborações.

O que decepciona

  1. A pouca exploração da visita e do rapto comentados no item 3 anterior
  2. O capítulo final da narrativa

Em resumo

É livro, em larga medida, de agradável e rápida leitura.

Fica a impressão que talvez falte a cada um de nós uma incursão por tornar-se estupido.

 

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