Como faz para ser estúpido? Martin Page tenta responder
Martin Page, um garoto de pouco mais de 40 anos, antropólogo, tenta responder a pergunta.
O objetivo, disfarçado na busca em levar uma vida tranquila, pelo autor, é criticar o estilo e a forma com que se vive.
Em tom que tangencia ora a comicidade ora o drama faz uma narrativa fluida de costumes e valores do início dos anos 2000.
Mostra ainda o grau de complexidade envolvido em atingir a meta proposta pelo título do livro : se tornar um estupido.
Ao longo do texto, fica claro que diversas decisões deverão ser tomadas afim de que Antoine, o protagonista, leve ao fim e a cabo seu intento.
O que chama a atenção no livro
- Page é bom construtor de diálogos. Prende a atenção do leitor fazendo com que o interesse em avançar pelas cento e poucas páginas permaneça. Em tempos de pouca concentração e inúmeros estímulos é vantagem competitiva para ele.
- O tom adotado é direto, sobejamente coloquial, sendo desnecessária, na tradução de Carlos Nougué, a pesquisa de vocabulário. De fato, não foi necessário recorrer à quaisquer ajudas.
- A narrativa é crescente mas sem sobressaltos. Mesmo sem adotar a inquietação permanente no leitor, é possível observar que Antoine vai percorrendo caminhos cada vez mais… “maduros” para um jovem de 25 anos. Há que se registrar que o protagonista não iria concordar com o adjetivo jovem; entretanto explicações não podem ser fornecidas sob pena de retirar apetitosos momentos na leitura.
Fique alerta para estes trechos do texto:
- A tentativa de Antoine se tornar um alcoólico. : Vários sub textos no texto principal podem ser observados ,até mesmo para os abstêmios .
- O curso para suicídio : Outros sub textos e críticas, nesta etapa do livro, mais explícitas, aos valores que norteiam a existência.
- A visita do fantasma e o rapto de Antoine : flertando com o “non-sense” Martin Page se afasta do tom que atribuíra até aqui e envereda por novas elaborações.
O que decepciona
- A pouca exploração da visita e do rapto comentados no item 3 anterior
- O capítulo final da narrativa
Em resumo
É livro, em larga medida, de agradável e rápida leitura.
Fica a impressão que talvez falte a cada um de nós uma incursão por tornar-se estupido.



Um comentário em “Como me tornei estupido – livro de Martin Page”