A fala do seu corpo fala tudo de você

Close up of man touching mustache

Pertinho do prédio, já podia diminuir o passo

Mãos nos cabelos, sempre acontecida

Estalar os dedos também.

A fala do seu corpo revela sua pressa…

Chegou! Foto e passe liberado.

homem bonito sorrindo

Mais uma arrumada no cabelo

E outro estalar de dedos.

Nono andar, porta abrindo,

Já começa o sorriso ensaiado

Para bom aproach com cliente.

 

Pediram para sentar e esperar

e enquanto isso, mexer no cabelo,

olhar o smartphone, estalar dedos e

pernas balançando também;

Terão vida própria? Pode ser…

pernas balançando

 

“Pode esperar mais um pouco?”

Olhada no horário, 10h30.. ferrou!

Vai perder a consulta das 11h, com

aquele gastro, para tratar de problemas

desagradáveis… custou tanto a marcar…

 

Corpo falando; seguia esperando

Enrolando cachos e esqueceu das pernas;

mas lembrou dos estalos e alongamentos

dos dedos… quase saíam das mãos, quando

notou que alguém lá dentro olhava…

 

“Aceitava um café?”

agradeceu … claro que sim! e os

cabelos iam da mão direita para a

esquerda… já nem se dava conta

e dos olhares.? destes dava sim.

Cruzou braços junto ao tronco

e já tinha esquecido o sorriso

no bolso, com as chaves.

Os dedos estalaram mais alto;

Até que veio o cliente, ufa!

Serious businesswoman at the window

Cabelos desalinhados ?

Arrumou novamente e de novo

e entregou a proposta.

Estalou dedos, discretamente

desta vez, e notou outros olhares…

olhares

Lendo o documento

o cliente não lhe dirigia uma

palavra que fosse, e novamente

cruzou os braços após sentar-se

e balançar as pernas.

O cliente agradeceu

despediram-se, arrumando de

novo a cabeleira. Desfez a cruzada

de braços, levantou-se e foi

para o elevador, sob cochichos.

 

 

11 horrible body language mistakes

 

 

Medir o tempo? que balela

medir-o-tempo

medir o tempo

Medição de tempo

é uma questão que

nos molesta a todos,

cientistas, simplórios

velhos e meninas.

Se existe de verdade

também já não se sabe:

para o Rei um dia é nada

pois antecipa ou posterga

como quer. Tudo balela!

tempo-e-rei

Para aquele encontro,

tempo também não tem.

Esquece hora, dia e mês,

nada se move, só há

a data e nada mais!

Para uma chatice

já é tudo contrário,

horas e dias embolados

e a chatice chega cada

vez mais perto, ufa

Enquanto se revisa

a vida, tempo também

não conta, lembrar do que foi

bom e o do que não foi

duram igual?

Fazendo esforço,

dando tudo o que se pode,

é infernal como um minuto

consome e esgoela, falta ar

para mais unzinho minutinho só.

esforço

Sábios desde sempre

contaram estórias de que

tempo é baboseira que levamos

a sério, inventando de controlar

o que ninguém pode.

E já que esculhambaram

criando mais um mês e menos

uma hora, que aqui é dum jeito

e lá é mais, ou menos, fica adotado

o que já não existe e até mais ver!

 

 

Parecer e não ser: um peso insuportável para carregar

parecer e não ser

Tinha facilidade com

muito assuntos, mandava

bem em várias frentes e

ia colecionando elogios

e admiração.

Conferia, de soslaio

o tamanho do impacto

que ia causando, ao

inserir um quote de

filósofo pouco conhecido

Gostava de um ferro:

puxava pesado no treino

e sempre parecia

desconhecer cansaço:

gostava de zerar o aparelho.

Agenda sempre cheia

Nunca aceitava nada de

pronto, só tinha vaga para

daqui 15 dias, com sorte,

Muitas vezes, nem aparecia.

Sucesso era só o cotidiano

Nem comemorava muito

odiava o suor e o desalinho

e afinal era para ser assim

mesmo, nada de mais, ora!

Maré virando? imagina!

Sabia pegar onda de

prancha grande ou de peito

medo ou cautela estavam

riscados do caderno.

Passados tantos anos,

o peso de parecer sempre

f.e.n.o.m.e.m.a.l  ia travando

o trapézio e subindo os

ombros. Começou a suar mais.

Ser o sucesso constante

era o seu fardo, sua segunda pele

e para nela habitar havia pago

com zilhões de sonhos escondidos

sob um dos seus tapetes persa.

Armadilha criada, vítima presa,

confusão entre predador e caça

se alimentava no próprio rabo

rodopiando num looping eterno

para ter só mais um afago.

 

 

 

 

Você não sabe discutir – nem eu

dicutir

Fazia tempo que divergiam

Sobre o tempo, sobre as cores,

sobre sabores e ventos,

sobre sinais, sobre bobagens

e o que importa é discutir

Começavam no tema

e rapidamente se afastavam,

percorrendo caminhos de

ressentimentos antigos,

cozidos no escuro, lá no fundo.

Qualquer motivo era bom

para discutir, para elevar um

pouco, a cada argumento, o

tom da voz. O cinismo era

sempre convidado também.

Tempos outros, outros tempos

em que as ideias podiam ser

diferentes, opostas ou apenas

em pequenas divergências e

o lado cético era de bom tom

Sem perceber como,

uma fronteira, uma divisão

foi aparecendo bem no meio

e a cada palavra de um, o

outro sentia a estocada.

Perdidos em discutir

em nada avançavam,

perdiam o fruir,

fomentavam refluxo,

azedavam o clima.

Contaminados, ao redor

sentiam a necessidade

de escolher um lado.

Já se armavam contra

para outras guerrinhas.

O gosto por combater

acabou fincando bandeira

e aqueles que antes se viam

próximos, nem mais se viam

na confusão do quem tem razão

Opinião pode haver

E sempre há. Na construção do

argumento há espaço para

respeitar quem se opõe.

Só o justo embate é fidalgo.

 

 

Opinião e argumento

 

 

 

 

 

 

 

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