Nem em sonho – diferenças no sono e na pele

Diferenças nas cores

das tantas peles em que

habitam seres pelos

4 cantos da nave,

pelos 4 cantos da terra.

Diferenças que transbordam

pelos cabelos, narizes, solas dos

pés e palmas das mãos.

Nas cicatrizes, nas dores, no

tanto de rejeição.

Outras tantas incertezas

de ir e de vir em paz,

de chegar em posições

de destaque, de presenciar,

de degustar à vontade.

Medos e privações que

inseridos lá onde não se

sabe chegar, onde não se

se sabe avariado, afetado,

não se reconhece comprimido.

Pavores ancestrais que

falam das terras onde

nasceram. Que terras são

essas, quem sabe seus

nomes e locais com certeza?

Trazidos, forçados, por

laços e cordas, por gemidos

nos barcos apinhados de

gente de tantos tons de pele.

Forçados por pares e diferentes.

Nem quando os olhos se

fecham e o projeto do ser

vai desligando funções para

o recarregar dos sistemas

e limpeza geral.Nem assim.

Nem quando os olhos se

fecham as funções acontecem

nas CNTPs. Nada disso.

É barulho, fumaça, calor

falta vento ou sobra frio

Nem no sono desaparece

a fratura que separa os diversos

tons de pele, esgarçando um

tecido social tão roto e envelhecido

que é difícil saber como cerzir.

nem em sonho

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