Ofender, por pra baixo,
desconstruir, abrir uma brecha,
uma ruptura, craquelar a imagem
de forma profunda e, via de regra
dolorosa… quem pode?
Tem relação com a expectativa
que se deposita lá dentro, no espelho,
ou que criam e, de um certo modo, que
talvez não seja certo, se alimenta,
tem relação de causa e efeito
É o que se evita, se previne
se teme, do fio de cabelo ao dedo
do pé. O que se pode fazer para
driblar um estrago destes, se faz
com todo o esforço e esmero.
O gozo de quem humilha,
de quem acossa e destrói,
o outro é imaginado como
pleno, inebriante, magnífico,
daqueles que tocam o céu.
E quem é atingido, quem
sofre, o destino da flecha
que partiu do arco de
perfeita mira, se contorce
no presente e no futuro
Com muita chance, muita
mesmo, haverá uma recuperação
via de regra, superficial e instável
que, sob risco da mesma ameaça
irá revisitar todo o sofrimento
Quem está de fora, quem não
pode atingir nem sofrer, não faz
parte, tem ainda maior condição
de entender o que se passa ou
nada pode depreender daquilo?
Seja choro, seja grito, seja
puxar o cabelo ou trancar o queixo
seja como for, quem pode, quem
tem o dom ou a permissão de atingir
um outro com tamanha profundidade?







