Véus de todo tipo
passeiam por aí
trazendo uma certa
dificuldade em se
visualizar o que há
Véus tecidos por
palavras, tantas e de
de tantos sotaques
que a gente acaba
por ficar sem nada ver
Alguns mais densos, repletos
de informação e estímulos
daqui, dali, dacolá, do além
e ficamos enredados,
emaranhados, presos
Difícil é encontrar a ponta
dum véu.. ah difícil de mais.
Por vezes nem nos damos conta
de que nos envolvem de
tão danados que são
Acreditamos ver tudo
de maneira clara, cristalina
mas, de fato, estamos
vendo por meio de véus
que aparecem sei lá o porquê
Quem sabe o que faz
levantar a ponta de um deles
não é uma dúvida, sempre
benfazeja, que balança
as certezas da visão
Véus também nos ouvidos,
emaranhando o que se escuta
que nunca é de fato o que dizem;
é um outro som, este o que ecoa
na minha caixa de ressonância.
Véus de chumbo, véus de fita,
de filó, de renda, de veludo,
seja lá do que forem, vale
pensar que o que se vê pode ser
diferente do que existe, não pode?
Viu só?
Nem tudo que não reluz não é ouro
