Livro de La Boetie : Servidão voluntária
- Um autor francês, de vida
bem curta deixa em sua
obra uma provocação
daquelas de tirar o sono,
de tirar o fôlego mesmo. - Deixando toda a sua
produção para um amigo,
hoje mais famoso, vai
no cerne de uma questão
que sempre incomoda: - Porque tantos se submetem
a tão poucos? Perguntava
lá no séc XVI : exércitos inteiros,
no ontem e no hoje estabelecem
combates de vidaemorte
sob ordens de 2 ou 3. - Reis desfilam suas jóias
caríssimas, morando em
palácios soberbos num
reinado onde tantos têm
tão pouco.
- Que mecanismo doido é
este que seguimos, sem
nos dar conta, em direção
às algemas, mansos em
nosso caminho de servir.
- Que se faça distância do
do servir que se faz voluntariamente,
quando por decisão o que se faz é
simplesmente servir;
-
A indagação aqui é outra : Veja o trecho:
“Quero para já, se possível, esclarecer
tão somente o fato de tantos homens, tantas vilas,
cidades e nações suportarem às vezes um tirano
que não tem outro poder de prejudicá-los
enquanto eles quiserem suportá-lo; que só lhes
pode fazer mal enquanto eles preferem agüentá-
lo a contrariá-lo”
- É de beijar a lona, a pergunta…e tem mais
“Que vício monstruoso então é este que
sequer merece o nome vil de covardia?
Que a natureza nega ter criado, a que a língua
se recusa nomear?”
- O nome é : Servidão voluntária;
é o que se estabelece em contra-ponto
a uma liberdade difícil de carregar.
- Que resolvam tudo, que nos apontem caminhos,
que nos forneçam listas e dicas.
Que nos facilitem seguir bovinamente o caminho.
- Muito antes de Sarte, Étienne de La Boétie
nos confronta com a doce, aconchegante
sensação de se sentir bem, que por hábito
experimentam os que servem sem pensar.


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