https://www.youtube.com/watch?v=m6Wx02f9aPk
Parecer e não ser: um peso insuportável para carregar
Tinha facilidade com
muito assuntos, mandava
bem em várias frentes e
ia colecionando elogios
e admiração.
Conferia, de soslaio
o tamanho do impacto
que ia causando, ao
inserir um quote de
filósofo pouco conhecido
Gostava de um ferro:
puxava pesado no treino
e sempre parecia
desconhecer cansaço:
gostava de zerar o aparelho.
Agenda sempre cheia
Nunca aceitava nada de
pronto, só tinha vaga para
daqui 15 dias, com sorte,
Muitas vezes, nem aparecia.
Sucesso era só o cotidiano
Nem comemorava muito
odiava o suor e o desalinho
e afinal era para ser assim
mesmo, nada de mais, ora!
Maré virando? imagina!
Sabia pegar onda de
prancha grande ou de peito
medo ou cautela estavam
riscados do caderno.
Passados tantos anos,
o peso de parecer sempre
f.e.n.o.m.e.m.a.l ia travando
o trapézio e subindo os
ombros. Começou a suar mais.
Ser o sucesso constante
era o seu fardo, sua segunda pele
e para nela habitar havia pago
com zilhões de sonhos escondidos
sob um dos seus tapetes persa.
Armadilha criada, vítima presa,
confusão entre predador e caça
se alimentava no próprio rabo
rodopiando num looping eterno
para ter só mais um afago.
De perto tão especial
Tinham cadeiras
Mesas e sofás
Tapetes, luzes
Plantas e enfeites.
Tinham camas,
Colchas,lençóis
Panos de copa,
Copos e louças,
Talheres e chaleira.
Tinham chave de
Entrar e sair.
Aquecedor pro frio
Cobertores, também,
Chinelos, sapatos.
Mas o que podia
Ser tão igual,
Ficava muito
Diverso, sendo
Cada um .
Só de olhar já
Se sabe das
Infinitas posturas
Cores e humores
Dos que lá residem,
Já se sabe das
Crenças ou da
Falta absoluta,
Já se sabe das
Perdas e sonhos,
Dá para saber
Dos anjos que
Visitam ou não.
Do terror e do
Medo da solidão.
Ler e não saber – IA faz melhor do que você
Ler e nada entender
São tantos que não se conta
E que nada contam, de vergonha,
De desprezo, de medo, de
escravidão, não se contam;
não se importam.
Outros acham mas não encontram
Contados, categorizados,
tidos na aptidão, não entendem,
não elaboram, não compreendem,
não encontram como seguir
mera instrução.
Das letras não lidas
Dos poemas que não lhes chegam
a mente, nem ao coração, das
bulas que não lhes curam males,
dos roteiros que não podem seguir,
dos textos que em nada lhes agrega.
Vítimas ou vitimizados?
O algoz não se aproxima,
é conhecido por não se apresentar.
Quem vai saber dos motivos,
das razões reais ou subjetivas,
se é que existem, cada qual?
Naturalizando o não natural
Esquecendo, dissolvendo os
conflitos reais, o que não é
natural, natural vai ficando,
ficando mais fácil ainda pro artificial.
O quanto é possível
Sem alarme, sem medos
sem chagas pelo avanço,
entender que o mais adaptado
ao meio é inteiro pra conquistar?
Melindres, firulas, medinhos:
Para tudo isto lugar não há por entre
linhas de código precisas e
impolutas que juntam o necessário
à solução inodora, insípida e sem cor
Fugimos do feio – o quanto sua aparência influencia
Confesse, sem dobrar os joelhos,
Que a cada espelho que aparece
Você dá uma olhadinha e
confere como tudo está,
fazendo pequenos ajustes
na sua aparência.
Cabelos então…
quem os tem, muito cuida
quem não os tem
muito investe
em trazer algum de volta
O peso é condenação
Da qual nunca se safa
Sempre sobram 3kg
para perder e como faz?
A cintura não é o que se quer
Nariz menor, por favor
Ou um pouco pra cima
ou um pouco pro meio
o arco, ou tudo menor,
ou tudo mais arrebitado
Cheiros, disfarçar
com mais perfume, mais
fragrância, mais lavanda
mais creme e desodor,
mais essência no sabão.
Roupas sempre faltam
Mais um terno e mais 30
gravatas, mais um pretinho,
mais uma saia beringela,
mais um tomar-que-dê-certo.
Boa aparência, quer quantas?
Na praia para impressionar
No restaurante para causar
No evento para lacrar
No escritório para definir!
Ser feio? nem pensar
Ao acordar, quando olha
naquele espelho, só seu
o que vê sem retoque é
Quase ….Feio? nem pensar!
“Só o que é belo nos faz abrandar o passoO que é feio apressa-nos o passo.Fugimos do feio como do diabo.À mesma velocidade.”



