Parecer e não ser: um peso insuportável para carregar

parecer e não ser

Tinha facilidade com

muito assuntos, mandava

bem em várias frentes e

ia colecionando elogios

e admiração.

Conferia, de soslaio

o tamanho do impacto

que ia causando, ao

inserir um quote de

filósofo pouco conhecido

Gostava de um ferro:

puxava pesado no treino

e sempre parecia

desconhecer cansaço:

gostava de zerar o aparelho.

Agenda sempre cheia

Nunca aceitava nada de

pronto, só tinha vaga para

daqui 15 dias, com sorte,

Muitas vezes, nem aparecia.

Sucesso era só o cotidiano

Nem comemorava muito

odiava o suor e o desalinho

e afinal era para ser assim

mesmo, nada de mais, ora!

Maré virando? imagina!

Sabia pegar onda de

prancha grande ou de peito

medo ou cautela estavam

riscados do caderno.

Passados tantos anos,

o peso de parecer sempre

f.e.n.o.m.e.m.a.l  ia travando

o trapézio e subindo os

ombros. Começou a suar mais.

Ser o sucesso constante

era o seu fardo, sua segunda pele

e para nela habitar havia pago

com zilhões de sonhos escondidos

sob um dos seus tapetes persa.

Armadilha criada, vítima presa,

confusão entre predador e caça

se alimentava no próprio rabo

rodopiando num looping eterno

para ter só mais um afago.

 

 

 

 

De perto tão especial

De perto tão especial

de perto

Tinham cadeiras

Mesas e sofás

Tapetes, luzes

Plantas e enfeites.

Tinham camas,

Colchas,lençóis

Panos de copa,

Copos e louças,

Talheres e chaleira.

Tinham chave de

Entrar e sair.

Aquecedor pro frio

Cobertores, também,

Chinelos, sapatos.

Mas o que podia

Ser tão igual,

Ficava muito

Diverso, sendo

Cada um .

Só de olhar já

Se sabe das

Infinitas posturas

Cores e humores

Dos que lá residem,

Já se sabe das

Crenças ou da

Falta absoluta,

Já se sabe das

Perdas e sonhos,

Dá para saber

Dos anjos que

Visitam ou não.

Do terror e do

Medo da solidão.

De perto, tão especial

 

Ler e não saber – IA faz melhor do que você

ler e não saber

ler

Ler e nada entender

São tantos que não se conta

E que nada contam, de vergonha,

De desprezo, de medo, de

escravidão, não se contam;

não se importam.

Outros acham mas não encontram

Contados, categorizados,

tidos na aptidão, não entendem,

não elaboram, não compreendem,

não encontram como seguir

mera instrução.

Das letras não lidas

Dos poemas que não lhes chegam

a mente, nem ao coração, das

bulas que não lhes curam males,

dos roteiros que não podem seguir,

dos textos que em nada lhes agrega.

Vítimas ou vitimizados?

O algoz não se aproxima,

é conhecido por não se apresentar.

Quem vai saber dos motivos,

das razões reais ou subjetivas,

se é que existem, cada qual?

Naturalizando o não natural

Esquecendo, dissolvendo os

conflitos reais, o que não é

natural, natural vai ficando,

ficando mais fácil ainda pro artificial.

O quanto é possível

Sem alarme, sem medos

sem chagas pelo avanço,

entender que o mais adaptado

ao meio é inteiro pra conquistar?

Melindres, firulas, medinhos:

Para tudo isto lugar não há por entre

linhas de código precisas e

impolutas que juntam o necessário

à solução inodora, insípida e sem cor

IA lê melhor do que você

 

 

 

Fugimos do feio – o quanto sua aparência influencia

feio-aparência

Confesse, sem dobrar os joelhos,

Que a cada espelho que aparece

Você dá uma olhadinha e

confere como tudo está,

fazendo pequenos ajustes

na sua aparência.

Cabelos então…

quem os tem, muito cuida

quem não os tem

muito investe

em trazer algum de volta

O peso é condenação

Da qual nunca se safa

Sempre sobram 3kg

para perder e como faz?

A cintura não é o que se quer

Nariz  menor, por favor

Ou um pouco pra cima

ou um pouco pro meio

o arco, ou tudo menor,

ou tudo mais arrebitado

Cheiros, disfarçar

com mais perfume, mais

fragrância, mais lavanda

mais creme e desodor,

mais essência no sabão.

 

Roupas sempre faltam

Mais um terno e mais 30

gravatas, mais um pretinho,

mais uma saia beringela,

mais um tomar-que-dê-certo.

 

Boa aparência, quer quantas?

Na praia para impressionar

No restaurante para causar

No evento para lacrar

No escritório para definir!

Ser feio? nem pensar

Ao acordar, quando olha

naquele espelho, só seu

o que vê sem retoque é

Quase ….Feio? nem pensar!

“Só o que é belo nos faz abrandar o passo
O que é feio apressa-nos o passo.
Fugimos do feio como do diabo.
À mesma velocidade.”
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