Fique tranquilo, ao final não vai dar certo mesmo

tranquilo

Fique tranquilo

ao final não vai

dar certo mesmo

afinal o que foi

feito para isso?

Desorientação

sem saber para

onde vai ou vem

sem saber o que

fazer nem quando

Pensar a longo

prazo, como faz?

perturbação

estado de tensão

sem sertão ou vereda

Milhares de coisas

encantados com o

poder de fazer muito

que nem serve para

muito, possuído pelo ter

Prometeu libertado?

idolatrando o que

vai acontecer sem

interferência, crentes

num caos generoso

Nada precisa ser feito:

de um jeito ou de outro

vai dar certo e indolente

e errante, nunca se começa

o que deveria.. lei particular

Então é certo ou quase

ou há muita chance

de não dar certo

de não atingir

de não chegar.. Há muita

O não fazer conduz ao

não acontecer na melhor

forma, no melhor modo,

ao desdém do pensar

profundo no lance do Gerson

Um juízo final que redime

os que esperam parados

indo ao encontro da pouca

dos que não têm obras,

ausentes, sempre sem razão.

Fica tranquilo, alguém

tem que fazer algo

o outro, a outra, o de fora

tragédia trivial onde

não se mete a mão

Fica tranquilo

não vai dar certo mesmo

ao final  o que foi

feito para isso?

Nada, não é?

 

 

 

Grilhão uma estória sem ter fim

grilhão

Grilhão, prisão, corrente

chibata, feitor, capitão-d-mato

Dor, tronco, estalo

choro que secou

Suor, ferida, quelóides

humilhação, sofrimento

Dor, tronco, estalo

choro que secou

Ventre inchado

filho de quem?

Dor, tronco, estalo

choro que secou

Escritura, alforria

liberdade, o que é?

Dor, tronco, estalo

choro que secou

Preto, tiziu, besta

trabalho que não pensa

Dor, tronco, estalo

choro que secou

Fuga, mato, espinho

quilombo, facão

Dor, tronco, estalo

choro que secou

Capoeira, cantoria

pés rachados, poeira

Dor, tronco, estalo

choro que secou

Serve café, faz bolo

e tapioca, amamenta

Dor, tronco, estalo

choro que secou

Planta cana, café

rasga a palma da mão

Dor, tronco, estalo

choro que secou

Dormir de olho aberto

vigia, espreita, medo

Dor, tronco, estalo

choro que secou

Tempo que não passa

não exime, não alivia

Dor, tronco, estalo

choro que secou

Grilhão que não se abre

estória que não termina

Dor, tronco, estalo

choro que secou

 

Grilhões em quadrinhos

Saber antes sobre o seu futuro; quer mesmo?

saber

Saber em primeira mão, antes

de todos, antes mesmo de se dar

conta de que não sabia e que

precisava saber. Antes de precisar,

antes de perguntar

Descobrir informação que

pode mudar o rumo da vida,

da jornada, dos que estão ao

lado ou até muito longe

e que nem se cogita

Construído o meio, o código,

a forma de acessar um privilégio,

um conhecimento, uma informação,

faz o que com isto? Distribui o acesso

para todos, assim sem cuidado?

Talvez estruturar melhor em etapas,

criar degraus, ir preparando a quem

busca sem saber a encontrar o que

nem sempre quer ou que nem sabe

que vai encontrar… talvez

Talvez ficar com a informação,

colher sem autorização formal

de outrem, para estatísticas,

para a ciência, para condutas

de boa intenção. Ou não…

Talvez cobrar bem caro

pela informação, fazer com

que todo o trabalho despendido

seja remunerado a altura,

pois afinal é disto que se vive.

E como se vive depois de

saber? Como prossegue o dia,

o mes, o ano, como marcar o

barbeiro ou a maquigem depois

da epifania avassaladora?

Conselhos muitos virão

Esquecer, superar, duvidar…

pode haver um engano,

pode não ser um vaticínio

pode não ser… Será?

Pode também encarar,

agir a partir do que foi descoberto,

traçar logo a matriz GUT e

atribuir a pontuação esperada.

Escrutinar o plano de reversão.

Ou ainda perder o chão, o tino

perder o controle do choro e do

soluço, perder a esperança e a

visão de um futuro, agora turvo,

pelo que acabou de saber.

 

Tudo sobre você, todo mundo já sabe

 

 

 

Ficção já cansou. Só o real tem lugar

Ficção? Heróis, castelos

Bichos enormes ou diminutos;

armas e escudos; caminhos

escuros, deuses de toda

a cor. Quem se importa?

Estórias mirabolantes?

Ninguém mais dá pelota.

Afinal o que se quer é o

que acontece hoje, ontem

e amanhã.

Precisa ser falado sempre

e a todo momento: o que se

faz, como se faz, quando se

faz, com quem se faz. Precisa

ser dito, em foto e em vídeo.

Precisa se falar da família,

dos amigos e dos pets. Narrar

com eloquencia o que permite

fruição e o que engasga.

Distribuir o internalizado.

A ficção cansou a todos ;

não dá conta do que interessa

num instante, mesmo que não

se saiba quanto dura nem como 

se preenche. E enche…e transborda

Os pronomes possessivos

se tornaram os personagens

principais. Os demais, que a outros

remetem, foram caindo no

ranquing dos boots, sem leads.

As capas e espadas são as

de grife contemporânea e torcer

as luvas nem há o que se comentar.

Em voga, na pauta, a combinação

policromática do prato do dia.

Precisão de destampar,

de ser fiel ao que se vive

ou ao que se imagina viver.

Comentar, trazer a opinião,

digitada com o corretor.

Lançar um webniário

complementado por e-book

sem sereias, sem moinhos,

sem olhos marejados da Dorotéia;

apenas o que compraz e conecta.

Podem dormir nas colinas,

nos castelos mais altos, as princesas

e os dragões. Durmam as bruxas e

porções mágicas. Descansem os

monstros de um só olho: hoje só o real

 

Competição, por quem vai torcer?

Competição com data marcada,

dia 28 as 9h30 e nada de recuar

Era o teste tão esperado e dava

até um nó comprido do pescoço

até dentro da barriga.

Havia nutrido a máquina com

zilhões de dados e informações

tentando reunir material suficiente,

para que conseguisse superar

os embates previstos

A equipe toda estava tensa,

havia tanto trabalho envolvido…

horas e horas, extras por fora,

lanches e pizzas, muito café,

balas; quilos a mais para todos

E o peso maior não era só

físico, tinha grana alta na

parada, apostas da direção

e uma divulgação que

chegou aos confins do Judas

Nunca se ouviu falar de

uma testagem deste tipo,

o que conferia ainda mais

brilho e terror à contenda.

Ah sim, havia oração e muita

Foi quando se deu conta,

quando caiu a ficha que de

fato estava torcendo pela

máquina neste enfrentamento

o que lhe pareceu engraçado.

Uma graça sem jeito

na contra-mão, enviesada,

de través… desejar pelo fracasso

do oponente, que era seu igual

e pela vitória da machine

Cavucou lá dentro de si

algum palpite infeliz, algum

caldo de ética que lhe apontasse

se estava correto seu desejo

ou se, na boa, era um descalabro

Só encontrou mais dúvidas

e era tudo o que não desejava.

Afinal ainda tinha ajustes.

Simulações por emular no

ambiente fora de produção

Qual espinha de peixe

atravessada, manteve a

dúvida na redoma da obsessão

silenciosa e partiu para

o trabalho, tampando a lente.

Subiu mais uns 200 artigos

papers importantes e renomados

para serem absorvidos em fração

milionésima do log neperiano

com tudo arriado na memória ram

Verificou a segurança, padrões

requisitos e processos, checou demais

condições e a espinha?foi se abaulando,

criando uma curva funda que fazia

com que fosse descendo…descendo…

Chegaria em breve o grande

momento em que toda a equipe

roeria as unhas por muitos instantes

até se atingir o resultado tão

esperado… que era mesmo qual?

WhatsApp chat