Tudo veio do lixo, da poeira, inclusive eu e você

poeira de estrelas
  • Espremendo com  vontade
    uma couve, um boi, ou a gente
    o que sobra é água
    e um cadinho de matéria,
    uns 10% vai.
  • E no vasto universo
    finito ou infinito
    que se parece com
    balão de gás, água  é
    o que há. E muito!
  • Nos planetas
    distantes daqui
    água, não líquida
    é encontrada com
    facilidade.
  • E é nela que começa
    tudo, juntando
    outros elementos
    daquela tabela que
    ninguém lembra mais.
  • De água e elementos
    a vida se fez e cá estamos
    por uma razão pouco
    comum. Dos demais só
    restaram nós, sapiens
  • Estes elementos também
    se encontram nas estrelas
    que junto com os planetas
    compõem galáxias, nada
    de mais, tudo poeira.
  • Poeira,lixo comum
    nada extraordinário
    banal e insignificante:
    E é disto o que somos
    eu e você: poeira!
    https://glo.bo/2j4oYxa

Como me tornei estupido – livro de Martin Page

Figura da monalisa mostrando a língua num gesto estúpido

Como faz para ser estúpido? Martin Page tenta responder

Martin Page, um garoto de pouco mais de 40 anos, antropólogo, tenta responder a pergunta.

O objetivo, disfarçado na busca em levar uma vida tranquila, pelo autor, é criticar o estilo e a forma com que se vive.

Em tom que tangencia ora a comicidade ora o drama faz uma narrativa fluida de costumes e valores do início dos anos 2000.

Mostra ainda o grau de complexidade envolvido em atingir a meta proposta pelo título do livro : se tornar um estupido.

Ao longo do texto, fica claro que diversas decisões deverão ser tomadas afim de que Antoine, o protagonista, leve ao fim e a cabo seu intento.

como me tornei estupido- capa do livro

O que chama a atenção no livro

  1. Page é bom construtor de diálogos. Prende a atenção do leitor fazendo com que o interesse em avançar pelas cento e poucas páginas permaneça. Em tempos de pouca concentração e inúmeros estímulos é vantagem competitiva para ele.
  2. O tom adotado é direto, sobejamente coloquial, sendo desnecessária, na tradução de Carlos Nougué, a pesquisa de vocabulário. De fato, não foi necessário recorrer à quaisquer ajudas.
  3. A narrativa é crescente mas sem sobressaltos. Mesmo sem adotar a inquietação permanente no leitor, é possível observar que Antoine vai percorrendo caminhos cada vez mais… “maduros” para um jovem de 25 anos. Há que se registrar que o protagonista não iria concordar com o adjetivo jovem; entretanto explicações não podem ser fornecidas sob pena de retirar apetitosos momentos na leitura.

Fique alerta para estes trechos do texto:

  1. A tentativa de Antoine se tornar um alcoólico. : Vários sub textos no texto principal podem ser observados ,até mesmo para os abstêmios .
  2. O curso para suicídio : Outros sub textos e críticas, nesta etapa do livro, mais explícitas, aos valores que norteiam a existência.
  3.  A visita do fantasma e o rapto de Antoine : flertando com o “non-sense” Martin Page se afasta do tom que atribuíra até aqui e envereda por novas elaborações.

O que decepciona

  1. A pouca exploração da visita e do rapto comentados no item 3 anterior
  2. O capítulo final da narrativa

Em resumo

É livro, em larga medida, de agradável e rápida leitura.

Fica a impressão que talvez falte a cada um de nós uma incursão por tornar-se estupido.

 

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