Escombros, reconstrução – a guerra de Troia em cada dia

escombros de Troia

Escombros,

ruínas,

desolação,

cacos,

pedaços.

 

E começa de novo:

Ergue,

constrói,

põe de pé,

levanta.

 

Muros, muralhas

tudo pro chão.

Um incrível

nevoeiro de

estilhaços!

 

E começa de novo.

Ergue,

constrói,

põe de pé,

levanta.

 

E o pedaço do que

caiu primeiro

já está misturado

com o caiu depois…

E vai saber qual é!

 

Num momento,

que tempo é assim,

Pow! Rompeu,

esgarçou,

fraturou ao meio.

 

E mais cacos se

misturam no pó,

na nuvem, no vento,

que lança longe

ou por baixo, vai saber.

 

Misturando a antropologia,

Confundindo a história,

Manipulando as teses:

Reconstruções sucessivas

Sobre ou sob escombros?

 

Quantas camadas têm

as verdades, os conceitos

Que jura de pé junto

São os mais

Acertados?

 

Quantos pedaços mutilados

Rearrumados sob novos

Sentidos, aleatórios ou

Por convicção, o que,

No fundo, dá no mesmo.

 

A cada instante, ou num

Conjunto de muitos,

Sem ou com guerras,

Vítimas ou heróis

Fardados ou à paisana

 

Em avanços sucessivos,

inclusive para trás,

misturamos o pó,

na argamassa que

faz a Troia nossa de cada dia.

Voynich um mistério incrível mas tem sempre alguém que “estraga”

Voynich, manuscrito antigo

daqueles repletos

de símbolos, desenhos

tudo com esmero

sem uma rasura sequer!

Como pode ser

tamanho apuro

escrito à mão, no bico

na pena, tudo tão

certeiro, como pode?

Desde muito tempo

muitos se empenharam

em descobrir o seu

sentido, pois sem

sentido não sossegamos.

Precisamos de um

motivo, uma razão

decodificada e que

nos traga conforto

que nos tire da danação .

Construíram hipóteses,

teceram argumentos para

o que deveria ser tudo

aquilo, e, também, quem

seria o possível autor.

Um adolescente marciano

que deixou cair de uma nave

espacial o “seu”livreto?

Um mago das florestas,

lá em 1500, que concebeu Voynich?

Estórias não faltaram

e que graça trazem aos

dias e às mentes empenhadas

em decifrar seus códigos…

ah um desafio, que delícia!

Quanto de energia mental

de tantos corpos, ao longo

de tanto tempo foi consumida

ou empregada, na tarefa

que se auto impôs!

Mas sempre tem alguém

mais dia, menos dia, que

chega com uma solução

que divulga a chave para

interpretar e por fim ao caso

Fica, após esta conclusão

uma sensação pequena,

escondida, uma saudade(?!)

da época em que tanto se queria

mas que sem dó, não se atingia.

 

Quando se estraga o mistério

 

 

 

Mosquito prefere quem está por baixo: o pobre

Mosquito prefere os pobres

Por estar na parte

mais baixa da pirâmide,

mais perto do chão,

mosquito prefere o pobre,

talvez…

Resultado de imagem para piramide social brasileira 2017

Pode ser também

por ter menos roupas

andar por aí mais a

descoberto, e mesmo

sem calçados.. pode ser

Pobreza sem calçados

Pode ser por ter

barriga estufada de

comer porcaria,

quando calha de

comer, vez por outra

barriga estufada

 

Pode ser por não

ter crescido, por ter

baixa estatura e

também andar mais

curvado, cara pro pé.

Pode ser por não

ter água boa, ou

até por não ter

água, daquelas

limpinha e sem cheiro

Pode ser por ter

o sangue mais perto

da pele, que é mais

fraca, mais molenga,

mais fácil de atingir

Pode ser por

ter a testa enrugada,

e também a bochecha

e nestes vincos juntar

tudo de triste que tem

pobre

 

Pode ser por tudo

isto ou por outras

razões que expliquem

sem dó nenhum

sem qualquer alívio

Pode ser …

mas podia não ser…

poderá não ser mais…

quando com clareza e apreço

não se jogar a culpa no vetor

Mosquitos da dengue preferem os mais pobres

 

Concretude amorosa

Memorial Máscara da Tristeza

Aqui não se trata das linhas curvas e

malemolentes do grande mestre,

reconhecido por concretamente

gingar com seu gênio criador.

O objetivo é outro tão concreto quanto.

niemeyer
Niemeyer

Também não se trata da geometria

das telas dos cubistas, fenomenais em

sua forma de angulosamente espetar

os olhos, atingindo, sem dor, o coração

em lindos tons de carmim.

Cubistas
Cubistas

Distante também das figuras

marmóreas, soberbas que desafiam

o vínculo entre o imaginado e o real

conversando, como em Pigmaleão

certeza de que tinha vida.

pigmaleaõ
Pigmaleão e galatéia

A concretude é outra por aqui:

é do perder muito e ganhar nem tanto;

é do encarar um final que tem pouco

de happy mas nem por isso inexiste;

o tudo que é do jeito que é.

 

Sem sabores amargos, por favor:

a conversa não é com as vítimas

chorosas em seus lamentos que

não tem fim para que a prisão

não se abra e se inicie outro passo.

 

Sem cheiros de pólvora ou de

enxofre, nada metafísico neste

instante que é absolutamente

concreto e fugaz e é assim que

foi e assim que será. Tudo dito.

É o concreto do cotidiano,

do tédio que espreita quando

a distração dá uma trégua para

que ele emudeça o sorrisinho

de talco. Denso, pesado, real.

concretude
poema-veinte-pablo-neruda

Nesta modorrenta rotina,

desgaste é tão real quanto todo

o resto; o que resta é pergunta

de milhões, sem prêmio, sem

vantagens: pegar ou sumir!

 

Conexão sempre sonhada: a lua em 4G!

Lua vai ganhar rede 4g

Sempre se desejou

sua presença, sem desistir

da ideia, o que sempre

retroalimenta a vontade

e faz dar certo.

Pés e patas por lá

já estiveram e até

um dragão que

sempre reaparece

quando bem cheia.

São jorge na lua
São Jorge na lua

Fascínio sem limite

exerce por aqui e isto

sempre se ouviu o que

também aumenta o

poder da conversa.

Como estrela,

corpo celeste, que

seja ; e talvez por isto

tanto nos fale de

perto, em cores e sonho.

Sonhos
Sonhos e a lua

Uma luz brilhante,

cor de prata ou de ouro

pode descrever sua

majestosa presença em

tantos dos nossos olhares?

Em tantos dos nossos

sonhos e tristezas, desalentos,

pés-na-bund@ e muito mais;

“conversamos” com ela, em

privativos encontros, à noite.

 encontros à noite
Encontros privativos à noite

Ela já assistiu muitas

das lágrimas, muitos dos

soluços, da falta de ar e

das palpitações, sempre lá

acolhedoramente distante.

Faz tempo que  queremos conexão

mais próxima com respostas, já que

perguntas muitas temos

mas a ninguém fazemos,

só mesmo borbulham por dentro.

Em rede sempre estivemos

graças aos gases, às matérias

processadas e devolvidas ao

universo em que todos somos

parte, também ela e nós.

Universo
Universo

Que nos escute, que converse

conosco, sem conselhos que

subestimam a dor ou subjugam

a mente. Que nos escute e

que nos ilumine neste vasto céu.

 

A lua em 4G

 

 

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